Com uma capacidade estática de 1,2 milhão de toneladas distribuídas por 97 unidades pelo País, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) deve seguir o cronograma estipulado pela Instrução Normativa 41 (IN 41), só completando a certificação dos seus armazéns em 2017. Isso porque a entidade não sabe como será a estratégia do governo federal para liberar a verba para que as adequações sejam feitas. No ano passado, quando a instrução entrou em vigor, a companhia gastou R$ 10 milhões para atender aos 15% mínimos exigidos para a certificação das unidades armazenadoras. No Paraná, a capacidade de armazenamento da entidade é pequena - 500 mil toneladas - sendo que duas unidades já estão certificadas: a de Cambé (25 mil toneladas) e de Ponta Grossa (420 mil toneladas), considerada a maior do País.
Em Cambé, o silo utilizado é um pouco diferente dos habituais. Inaugurado em 1985, ele é do tipo "búfalo", uma tecnologia canadense onde o descarregamento do produto acontece pela força da gravidade, o que acaba gerando uma economia de energia elétrica. No Brasil, apenas cinco silos da Conab possuem esta tecnologia. "Em nosso caso, foi uma questão mais burocrática, de acertar os papéis e registros de operações. Se não houver os requisitos mínimos, como controle de aeração, temperatura, etc, fica difícil manter o controle da massa dos grãos que está armazenada", comenta o gerente da unidade de Cambé, Agnelo de Souza.
Para o superintendente regional da Conab, Luiz Carlos Vissoci, esta ação de regularização destes armazéns já deveria ter sido iniciada há muito tempo. "Necessitamos urgentemente que nossas unidades tenham um padrão de atendimento, como os grãos que são colocados no mercado."
Na opinião de Vissoci, os custos de adequação não são elevados. Ele considera que os requisitos são mínimos naqueles locais que "já possuem um armazenamento razoável" da produção. "Apenas quem não está dentro de um padrão aceitável é que vai acabar gastando mais". Ele relembra quando a Lei da Armazenagem (9.973) entrou em vigor, há cerca de 13 anos, e dizia que todos deveriam se enquadrar em no máximo um ano. "Mas o que ocorreu é que há um corporativismo das empresas que buscam adiar o máximo que podem os prazos. Um pouco de investimento sempre será necessário", relata.
A padronização da mercadoria, para o superintendente da Conab, acaba portanto, sendo fundamental. Para ele, fica complicado para o mercado se uma empresa ou cooperativa está sendo boa armazenadora e junto a ela existem outros que não fazem o mesmo. "Enquanto uma preza pela qualidade, outra acaba soltando-o em condições ruins. É muito complicado controlar isso depois que os grãos saem dos armazéns", salienta.
Já quando se trata da capacidade estática do Paraná, de forma geral, Vissoci acha que tanto o governo federal quanto o estadual deveriam investir mais nos chamados armazéns coletores, com o intuito de atender os agricultores familiares. "Com estas unidades menores funcionando em prol destes produtores, evita-se atravessadores no negócio. Seriam importantíssimos no sentido de prestar serviço a eles".

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