Cristina Côrtes
De Londrina
‘‘O empreendimento rural não deve ser apenas um meio de vida, mas sim um modo de vida, e a modernidade exige que o agrônomo esteja cada vez mais comprometido com o interesse social e humano de sua atividade ’’. Com esta frase o engenheiro-agrônomo Luiz Antônio Rossafa, coordenador do CREA-PR, deu o tom da palestra que fará no próximo dia 22 na Associação dos Engenheiros-Agrônomos de Londrina (AEA-Lda), em comemoração a passagem do Dia do Agrônomo (12/10).
O tema do encontro será ‘‘A importância do engenheiro-agrônomo no próximo milênio’’ e terá a participação de outros palestrantes. Derli Dossa (Embrapa Florestal) apresentará o tema ‘‘Gestão dos Negócios da Agropecuária’’; Marcos André Collet (autônomo) falará sobre a ‘‘Relação engenheiro-agrônomo x clientes’’; Adélio Eloy Holhrausch (autônomo) mostrará a ‘‘Experiência na Região Tibagi’’ do Grupo Agro 12 Batavo; Marcos Valentim Ferreira Martins (Iapar) abordará ‘‘Marketing e propaganda para o engenheiro-agrônomo’’ e Luiz Antônio Rossafa (Crea) comentará ‘‘A atuação do profissional da agronomia no contexto social moderno’’.
ResponsabilidadeA regulamentação da profissão de agrônomo foi em 12/10/33, e desde 66 traz no texto da lei, bem caracterizada, a responsabilidade do profissional pelas suas realizações de interesse social e humano. ‘‘O agrônomo utiliza e aproveita os recursos naturais, patrimônio da humanidade, e deve estar atento à qualidade de serviços que presta a seus clientes e à sociedade como um todo’’, diz Rossafa.
A implantação de um projeto ou mesmo a assistência técnica deve respeitar o cidadão e a natureza, porque a agricultura não pode ser apenas especulativa, empresarial. Segundo Rossafa, atualmente exigem restrições, por parte dos consumidores, ‘‘para produtos agrícolas que não agreguem componentes de ordem social e ambiental’’. ‘‘Boa parte dos consumidores têm informações sobre o que é um produto orgânico, as características do produto industrializado, o alimento transgênico ’’, argumenta.
Em pesquisas recentes comentadas por Rossafa, três pontos são destacados pela maioria dos entrevistados: as pessoas querem viver mais, não querem sentir dor e querem gozar a vida. ‘‘Estas aspirações estão intimamente ligadas à boa alimentação e meio ambiente; as pessoas começam a ter consciência disso e
exigir qualidade’’, destaca Rossafa.
QualidadeO conceito de qualidade hoje está muito mais ampliado do que há alguns anos, na opinião de Rossafa. ‘‘Além da qualidade do produto ou alimento propriamente, as pessoas se interessam em saber se aquele bem foi elaborado com a exploração do trabalho infantil, por exemplo, ou se sua exploração está prejudicando o meio ambiente. Enfim, é o que chamamos de qualidade universal’’, acrescenta Rossafa.
Por isso o agrônomo deve estar preparado para refletir sobre o seu papel nesses empreendimentos agrários, neste novo contexto. E Rossafa acredita que as mudanças podem acontecer, se cada profissional na sua área de atuação começar a propor e mostras as novas possibilidade de exploração da terra, promovendo uma agricultura sustentável.

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