Leilões de aquisição de café para programas sociais são bem recebidos pelo mercado, que espera mais do governo
A Conab realizou leilão esta semana para compra de café torrado e moído, destinado a programas sociais do governo. A medida foi bem recebida por produtores e comerciantes que defendem uma política de incentivo ao mercado interno. Segundo fontes da Conab, haverá novas compras de café para programas sociais. E o governo também pretende ''homogeneizar'' as compras do café consumido nas repartições publicas. Até o final do ano elas serão feitas pela Conab (e não pelas repartições individualmente), através de leilões.
O produtor de Jardim Alegre, Marcelo Fraga, que também é comerciante, disse que o governo precisa valorizar o mercado interno principalmente num momento como ao atual, em que os preços estão baixos. Mas ele acha que as compras do governo ainda são muito tímidas.
Fraga também defende a melhoria da qualidade e uma fiscalização sobre indústrias que adicionam outros produtos para reduzir custos. Outros produtores e comerciantes, ouvidos esta semana sobre o assunto definem a mistura como o pior ''adversário'' do mercado cafeeiro. ''Cada quilo de triticale, triguilho ou outro ''ingrediente'' que é adicionado na bebida, está ocupando o espaço de igual quantidade de café.
Alguns acrescentam que esse ''blend'' fraudulento se torna ainda mais nocivo quando entra a casca do próprio café, com risco de conter resíduos de defensivos usados na lavoura para combater pragas habituais do café como a broca, o bicho mineiro ou a ferrugem.
Comerciantes e produtores defendem ação mais rigorosa do governo na fiscalização das fábricas que fazem essas misturas (fraudes). E sugerem que a Abic amplie sua viagilância em defesa da qualidade. Com relação à política do governo, uma saída seria industrializar o tipo 8, de 360 defeitos (hoje entre os cafés que vão para o consumo interno, alguns têm mais de 500 defeitos), sugere Fraga. Para se ter idéia da diferença, os cafés exportados têm entre 50 e 60 defeitos, no máximo.
''Não dá para moralizar o mercado se o próprio governo, nos seus leilões oficiais, coloca como uma das poucas exigência que o produto seja embalado a váculo. Seria como usar um processo moderno para embalar uma mercadoria ruim.
Preço - O gerente de fibras e produtos especiais da Conab, João Paulo de Morais Filho, disse esta semana que as perspectivas de um impulso nos preços, motivado pelas quebras de safra no mundo todo, podem não se confirmar. Ele lembra que os estoques internacionais estão em níveis razoáveis e devem dar sustentação aos preços. Ele calcula que no mercado interno, além dos cerca de 5,2 milhões de sacas que estão nas mãos do governo, existam pelo menos mais 17 milhões de sacas estocadas, sendo 6 milhões com as cooperativas e outros 11 milhões nas mãos de terceiros. Segundo a OIC, os estoques mundiais beiram hoje os 50 milhões de sacas, sendo 20 milhões com os importadores e 30 milhões com os exportadores.

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