Companheiro do agricultor
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 31 de março de 2006
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Dedicação e disciplina. Esses são os atributos de um verdadeiro criador de cavalos. Não é necessário muito dinheiro nem grandes áreas para tocar uma criação, mas a paixão pelo animal é imprescindível.
Milionário, o segmento deve sua ascensão aos pequenos agricultores, já que a maior parte dos animais brasileiros ainda é utilizada na tração de equipamentos agrícolas e na lida com o gado bovino. Entretanto, a comercialização de cavalos de raça também tem apresentado bons resultados, assim como a realização de eventos esportivos como vaquejadas, rodeios e julgamentos das raças.
''Esse é o primeiro século em que o cavalo não será o principal meio de transporte da sociedade'', ressalta Pio Guerra, presidente da Comissão Nacional do Cavalo da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Ele calcula que só na Federação Paulista de Hipismo o número de eventos cresceu 315% entre 1999 e 2004. ''O setor gera mais de um milhão de empregos no País'', indica.
Ainda neste mês, a confederação deverá divulgar um resumo do relatório econômico do segmento, elaborado em parceria com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP). A iniciativa é pioneira no mundo, afirma Guerra. ''As informações geradas nesse trabalho irão orientar a formulação de propostas e a organização de alianças entre o setores do agronegócio cavalo'', diz.
Dados preliminares da pesquisa da Esalq/USP apontam que apenas 1 milhão dos 5,9 milhões de cavalos brasileiros são registrados. Outro dado importante remete à indústria da selaria. Mais de 70% do valor pago pelas selas no Brasil é destinado ao pagamento da mão-de-obra. ''A idéia é valorizar ainda mais esse trabalho, incentivando os pequenos a aproveitar o maquinário da indústria calçadista na confecção das selas'', explica.
Para Pio Guerra, outro avanço significativo do segmento foi o credenciamento de laboratórios para a realização de exames de DNA em cavalos, além da construção de um terminal de cargas vivas no aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), para a realização de exames sanitários. ''Esta medida irá facilitar o fluxo comercial dos cavalos e dinamizar as exportações nacionais'', conclui Guerra.


