Um solo bem equilibrado pela aplicação correta do calcário melhora a eficiência agrônomica da adubação fosfatada. Exigirá menor quantidade do fertilizante, com redução de custos e mantendo o mesmo nível de resposta da planta.
Segundo o pesquisador da Área de Solos do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Edson Lima de Oliveira, o Paraná tem bons níveis de fósforo no solo, principalmente nas áreas em que se cultivam soja, trigo e milho, porque o fósforo aplicado deixa um residual, mas ainda é necessária a adubação fosfatada feita com base na recomendação técnica de acordo com a análise de solo.
O fósforo é um macronutriente essencial ao desenvolvimento das plantas, e sua carência pode comprometer a formação das raízes e retardar o crescimento das plantas. Um dos sintomas de falta de fósforo é o arroxeamento da parte área das plantas.
Naturais ou industrializados No Brasil existem inúmeras jazidas de fósforo, mas sua eficiência, principalmente para culturas anuais, não é boa. De acordo com o pesquisador Edson Lima, que participou de um projeto amplo realizado por várias instituições de pesquisa do Brasil, o uso do fosfato natural brasileiro não apresenta os mesmos resultados que os fosfatos solúveis (industrializados). ‘‘Este trabalho integrado de várias instituições tinha o objetivo de tentar baratear o custo de produção das lavouras com o uso do fosfato nacional’’, explicou Edson.
A ação dos fosfatos depende essencialmente de sua solubilidade na presença da água, pois se move no solo por difusão. Os fosfatos naturais (rocha pura moída) têm maior dificuldade de solubilidade, ou seja, levam mais tempo para serem absorvidos pelas plantas; portanto não são indicados para culturas anuais que exigem uma resposta rápida. Podem ser utilizados, no entanto, nas culturas perenes ou em áreas de pastagens.
O processo de industrialização não acrescenta nenhum componente ao fertilizante; apenas desorganiza sua composição mineral original para facilitar a disponibilidade para sua absorção pela planta. Segundo Edson, alguns fosfatos naturais, como o de Gafsa, retirado de um fonte localizada no Norte da África, são de melhor qualidade que os fosfatos nacionais e têm sido utilizados com maior eficiência para algumas áreas, mas o fosfato industrializado ‘‘ainda é superior a qualquer dos fosfatos naturais’’.
Efeito cumulativo Uma das características do fósforo é de se acumular no solo depois de seguidas aplicações. ‘‘As plantas retiram o essencial, mas sempre fica retida uma parte que vai melhorando as condições gerais do solo’’, explica. No caso do milho, por exemplo, para cada 80 kg de fósforo aplicados por hectare (ha), 40 kg são absorvidos pela planta e o restante fica no solo; se foram aplicados 60 kg, 20 kg ficam no solo.
Este é um aspecto bastante positivo, comparado com outros tipos de minerais utilizados como fertilizantes. ‘‘Normalmente o que se põe no solo é absorvido quase que integralmente pela planta’’, diz Edson.
Com relação as reservas mundiais desse elemento, o pesquisador diz que não há preocupações quanto à possibilidade de faltar. As maiores jazidas estão localizadas na parte superior do Planeta, onde a área continental é muito maior. Nas culturas anuais, como soja, milho e trigo, a planta absorve o fósforo até a fase de maturação, deixando o restante depositado no solo.
Onde usar o fosfato natural Segundo o pesquisador Edson, o fosfato natural tem se mostrado mais eficiente em solos mais ácidos, e pode ser recomendado para áreas de fronteiras, onde está se iniciando o plantio que deverá consumir enormes quantidades nos próximos anos. No Centro-Oeste é fundamental uma correção prévia de fósforo antes de qualquer plantio.
O pesquisador alerta que nas áreas do Paraná onde estes níveis já foram corrigidos, a análise de solo pode induzir a erros de interpretação na hora de recomendação. Para evitar este problema, o produtor deve informar ao agrônomo se já foi aplicado fosfato natural anteriormente.
A adubação fosfatada é feita durante o plantio da cultura, na mesma operação, misturada com outros nutrientes. Atualmente, o Iapar não desenvolve experimentos específicos com adubação fosfatada, porque há anos atrás foi feita uma ‘‘calibração de fósforo’’ em todo o Estado, quando foi realizado um levantamento da quantidade deste mineral presente no solo.
Atualmente o Iapar não desenvolve nenhum experimento específico com adubação fosfatada, realizando estudos sobre a interação do fósforo com outros elementos, que possam melhorar a produtividade das culturas. Com o aparecimento de diversos fosfatos no mercado, o pesquisador recomenda que o produtor deve buscar informações junto à assistência técnica, para não jogar dinheiro fora com produtos que não darão uma resposta satisfatória.

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