Esse conselho é válido, principalmente, para fazendeiros e sitiantes que trabalham com gado de corte. ‘‘O certo é planejar a instalação da pastagem, preocupando-se como se fosse a melhor lavoura de soja, milho ou outra cultura’’, orienta o agrônomo Geraldo Geraldi Júnior, do Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes da Secretaria da Agricultura de São Paulo.
Ele sugere que, também para cultivar pastos, devem ser obrigatórias perguntas comuns relativas a outras culturas: Já analisou o solo?
Há necessidade de calcário?Que adubação deve ser feita?Qual a espécie que deve ser utilizada?
Regras corretasO agrônomo José André Pazetto, do Departamento de Produção de Sementes da Carol (Cooperativa dos Agricultores da Região de Orlândia), reforça o mesmo ponto de vista: ‘‘As espécies forrageiras recomendadas para pastagem, exigem para sua instalação recomendações básicas, como a análise do solo; se necessárias, a calagem e a adubação de plantio; o preparo do solo e, principalmente, uma boa semeadura.’’
A atividade pecuária, segundo os dois agrônomos, não pode deixar de seguir regras corretas de conduta, para evitar a diminuição da margem de rentabilidade. Eles lembram que, apesar de possuir um dos maiores rebanhos bovinos do mundo, o Brasil tem uma das menores taxas de desfrute, devido à alimentação deficiente do gado, além da exploração de raças limitadas, mal introduzidas no País ou até mal adaptadas.
É o que ocorre tradicionalmente, na média nacional, embora os técnicos considerem que esteja havendo algum avanço rumo à profissionalização. Em outras palavras, pecuaristas passam a agir como agricultores na hora de instalar uma pastagem.
ModelosO ex-ministro da Saúde, Adib Jatene, é apontado pelos técnicos como bom exemplo de pecuarista que sabe lidar com pastagem, para alimentar seu gado simental. Jatene escolhe as melhores sementes de capim, a melhor forma de instalar a pastagem, e afirma que procura seguir a orientação, teórica ou prática, de quem pode ensinar. O ex-ministro menciona, como ‘‘quem sabe ensinar’’, o fazendeiro Rubico Carvalho, de São Paulo. Rubico costuma dizer que ‘‘adubar pasto é o mesmo que comprar outra fazenda, só que é muito mais barato adubar, mais barato também do que plantar de novo’’.
Depois de bem cultivado, o segredo do pasto, diz Adib Jatene, ‘‘é o manejo correto, sabendo a hora de pôr e tirar o gado’’. Tal afirmação vem ao encontro do que Geraldo Geraldi Júnior enfatiza quanto ao resultado do uso da tecnologia para uma alimentação adequada. ‘‘Não tem outro jeito: nossa capacidade de produção tem que estar assentada em quilos de carne por hectare.’’
O gasto com sementes, segundo as empresas do setor, representam de 6% a 7% do custo total de implantação da pastagem. Levando isso em conta, o pecuarista deve se preocupar com sementes de boa qualidade. Deve também saber que a quantidade de sementes utilizadas por área depende de seu valor cultural, que na verdade é o que determina o custo. Assim, não vale a pena adquirir semente mais barata, se o valor cultural for baixo.
O preço da saca de sementes forrageiras de 20 kg varia de R$1,80 a R$4,50. Geraldo Geraldi Júnior explica essa oscilação: ‘‘Não existe milagre; se as sementes são boas, com elevados teores de pureza e germinação, consequentemente seus preços são maiores.’’
RecomendaçõesRecorrendo a sementes de boa procedência e se orientando quanto à espécie que adotará, o pecuarista deve seguir recomendações básicas para a instalação da pastagem: além da análise da terra, calagem, adubação de plantio e preparo do solo, a semeadura precisa ser bem feita. A adubação, principalmente com nitrogênio e potássio, é recomendada no início e no final do período chuvoso.
O plantio pode ser feito até o mês de janeiro, aproveitando o período chuvoso. O agrônomo José André Pazetto, do Departamento de Produção de Sementes da Carol, afirma que, devido ao tamanho minúsculo das sementes, um bom preparo do solo é fundamental para o sucesso da semeadura. Deve-se arar e gradear até que o solo fique em boas condições para a semeadura.
A profundidade de semeadura, explica Pazetto, é variável em função de cada espécie. Para as braquiárias, ele recomenda profundidade de 2 centímetros e, para as demais espécies, 1 centímetro. O pecuarista não pode esquecer que está ‘‘plantando’’ as sementes de pastagem, que não podem ser atiradas de qualquer maneira no solo. O plantio pode ser feito em linhas (com plantadeira) ou a lanço. Quando a semeadura for a lanço, essa operação - manual ou mecanizada - deve ser feita depois do preparo do terreno.
É sempre recomendado que, após a semeadura a lanço, seja usado algum implemento (normalmente o rolo compactador) ou qualquer outro artifício que proporcione uma leve compactação superficial ou uma ligeira cobertura das sementes. Essa operação, afirma Pazetto, melhora consideravelmente as condições de germinação e emergência das plantas.Arquivo FRLavouraPasto com gado de corte, no Noroeste do Paraná. Ele também deve ser considerado uma culturaAgência Estado

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