Como nossos pais
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sexta-feira, 22 de setembro de 2006
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Aos 21 anos, ainda cursando a faculdade de administração, Kleber Alexandre Rodrigues já sabe bem o que quer ao se formar, daqui a um ano: trabalhar com o pai no sítio de 50 alqueires em São Jorge do Ivaí. Desde os 10 anos ele tem ido à propriedade familiar para aprender o ofício que o avô, o pai e os tios exercem com orgulho. ''Meu pai quer me ensinar tudo para que mesmo que eu não precise trabalhar na terra, eu saiba mandar'', brinca.
O perfil do jovem de São Jorge, conta Kleber, está diretamente ligado à agropecuária. Na cidade de apenas 4,5 mil habitantes, todo mundo tem um pé na roça, segundo ele. Como a maioria dos amigos da mesma idade, Kleber prestou vestibular para agronomia, mas não passou. Então resolveu arriscar administração. Depois de formado, ele pretende cursar uma pós-graduação em agronegócios. ''Gosto mesmo é de negociar: seja compra de insumos ou venda da produção. E dá para conciliar a terra com a profissão de administrador'', diz.
Por um tempo, o estudante trabalhou numa revenda de máquinas agrícolas na cidade. Com a crise, a loja fechou e foi então que o pai resolveu levá-lo para o sítio e ensiná-lo sobre tudo o que aprendeu em anos trabalhando com agricultura. ''Meu pai nasceu no sítio e sempre pensou numa vida menos sofrida para mim e para as minhas irmãs. Mas no fim, ele entendeu que a terra é algo que pertence à família e nunca vai acabar, que é preciso saber tocá-la da melhor forma possível, pois é o único bem que pode garantir nosso sustento sempre'', ensina.
Época certa de plantio e colheita, regulagem dos maquinários e segurança no trabalho são alguns dos assuntos que o estudante já aprendeu com o pai, durante as idas diárias ao sítio. O relacionamento entre os dois é aberto, mas por enquanto ele ''está só aprendendo''.
Apesar da iniciativa de participar da rotina da propriedade rural ter partido do pai, Kleber abraçou a proposta e hoje não pensa em desistir. Com um grupo de amigos, ele pretende montar uma cooperativa de agrônomos para prestar assessoria aos produtores da região onde mora. ''A idéia surgiu quando a soja ainda estava em alta. Vimos que poderia ser uma boa oportunidade financeira'', recorda Kleber. Segundo ele, nem mesmo a crise desanimou os rapazes. ''Vamos nos formar praticamente juntos e amadurecer essa idéia para o futuro'', afirma.
Para estar capacitado quando a hora chegar, Kleber participa de treinamentos e reuniões da Cocamar Cooperativa Agroindustrial de Maringá, da qual a família é associada. ''Depois que comecei a frequentar os encontros de jovens produtores me tornei mais ativo e participativo. As palestras são interessantes e sempre mostram como a idéia de cooperativismo tem crescido e se tornado uma alternativa rentável para os agricultores'', conclui.


