Como funciona a produção na Eldorado
''Continuar com a pecuária no sistema tradicional significava 'quebrar'. O turismo rural poderia viabilizar a região, mas seria uma opção apenas para as propriedades na bordadura do Pantanal. Incluir a atividade turística no interior poderia descaracterizar o ambiente. A alternativa foi apostar na pecuária orgânica sem agredir a natureza.''
Homero Figliolini - pecuarista
Como funciona
a produção
na Eldorado
A Fazenda Eldorado fica em Corumbá (MS) e possui rebanho de 3.500 mil animais da raça nelore. Os animais são criados no manejo rotacionado a pasto com cerca elétrica. Com a mudança no sistema de produção o custo variável já é 8% inferior à média de gastos da criação convencional, garante o pecuarista Homero Figliolini. ''A redução é em razão da eliminação de medicamentos como vermífugos e carrapaticidas, proibidos no sistema orgânico.''
Os antigos medicamentos foram substituídos pela homoepatia e fitoterapia no sal mineral. ''Quando existe risco para a vida do animal e a indicação é usar o medicamento alopático, como antibióticos, por exemplo, esse animal é retirado do lote e fica por um período de quarentena e carência até voltar ao rebanho,'' explica Figliolini.
Todos os passos do manejo executado na fazenda são informados à certificadora, que faz a rastreabilidade da produção e orienta nos procedimentos para manter um manejo correto.
Como é uma fazenda de cria, que produz bezerros para vender, a taxa de natalidade é o item mais importante. Na Eldorado, depois da mudança, não houve queda na produtividade e o índice de natalidade subiu da média de 60% para 67%.
Outra diferença que o pecuarista já sentiu foi no comportamento dos animais. ''Por exigir um manejo mais intensivo os animais ficaram mais mansos, menos estressados, o que ajuda na produtividade do rebanho. Para isso foi preciso também intensificar a mão-de-obra, outra filosofia da produção orgânica.'' (C.B.)





