A queda de temperatura nos meses de inverno modifica completamente o comportamento dos peixes, exigindo uma mudança no manejo em relação aos períodos mais quentes do ano. Nas regiões onde ocorrem mudanças bruscas de temperatura, como no Paraná, os piscicultores devem antes de mais nada estar prevenidos. Como não existe meio de controlar a temperatura da água nos tanques, a recomendação é adotar medidas que evitem as perdas ocasionadas pela queda de temperatura.
A primeira observação, segundo o professor Gilberto Cezar Pavanelli, do Núcleo de Pesquisas em Limnologia, Ictiologia e Aquicultura (Nupélia), da Universidade Estadual de Maringá, é lembrar que nem todas as espécies têm o mesmo comportamento diante das mudanças de temperatura. As de origem tropical como pacu, piauçu, tambaqui, piapara entre outras, sentem mais o frio, e por isso exigem um tratamento diferenciado durante o inverno, quando os peixes estão mais expostos às doenças oportunistas.
RecomendaçõesO principal conselho, segundo Pavanelli, é observar todos os fatores que levam à deficiência de imunidade do peixe. Entre os principais está a densidade de ocupação do tanque, a concentração de amônia, o fluxo de água, o controle de oxigênio e do pH.
Conforme a espécie, o criador deve alterar a rotina do manejo durante os meses mais frios, garantindo maior resistência dos peixes e evitando perdas elevadas por causa da temperatura. Para todas as espécies, o ponto mais importante é a população do tanque, que deve ser adequada para cada tipo de exploração ou período do ano. A superpopulação provoca estresse no peixe, que fica mais aberto às doenças.
Marcos NegriniEscolhaPesqueiros devem trabalhar com espécies ideais para o períodoSegundo Pavanelli, muitos piscicultores da região têm procurado o Nupélia, em busca de auxílio no manejo dos tanques no inverno. O problema, segundo ele, é que as mudanças devem ser administradas antes da queda da temperatura, evitando as perdas comuns nesta época do ano nos criatórios onde a rotina do verão não sofreu nenhuma alteração. ‘‘Quem quer evitar prejuízos, deve se prevenir, porque o peixe requer um planejamento adequado’’, aconselha.
DoençasAlém de interferir no sistema de imunização dos peixes, a temperatura mais baixa cria condições para o rápido desenvolvimento de organismos patogênicos. ‘‘Tudo acaba contribuindo para o aparecimento de doenças, que muitas vezes são de difícil controle, e ocasionam grande mortandade’’, diz Pavanelli.
O criador deve estar consciente de que os organismos que provocam as doenças estão normalmente na água, ou nos peixes, e que apenas em condições de manejo adequado, para cada época do ano e não apenas no inverno, será possível conviver sem prejuízos com os agentes patogênicos.
O equilíbrio entre a manutenção da carga máxima dos tanques, e as condições ambientais favoráveis, determinante para um bom resultado na criação, não é fácil de ser alcançado, alerta Pavanelli. O primeiro fator, avisa, é realizar ações preventivas. ‘‘As medidas terapêuticas são onerosas, muitas vezes indesejáveis ao ambiente e nem sempre eficientes’’, explica. Por isso, trabalhando com uma carga média nos tanques, é possível evitar perdas pelos mais diversos fatores, principalmente no inverno.
Pode acontecer ainda que, mesmo adotando todos os procedimentos recomendados, ocorra mortandade de peixes, ocasionados por agentes patogênicos denominados primários. Sem interferência das condições ambientais, estes agentes são capazes de desencadearem a doença. ‘‘Nessas casos o piscicultor deve procurar a pesquisa’’, recomenda Pavanelli. Ele observa que o problema normalmente é introduzido por peixes adquiridos em outros centros de criação, e às vezes pode exigir o sacrifício de todos os peixes e um trabalho de desinfecção das instalações.
Para evitar a importação de doenças, a recomendação é primeiro conhecer o fornecedor e prudência na introdução de novos peixes em tanques já instalados. Outro procedimento é adotar um rigoroso controle sanitário, com quarentena e banhos profiláticos. O criador deve ainda exigir o certificado ictiossanitário, emitido por autoridade competente, comprovando a sanidade dos peixes adquiridos. ‘‘Não existe dúvida da forte correlação entre técnicas de manejo e o aparecimento de enfermidades. Por isso é possível adotar técnicas para evitar ou reduzir as doenças nos tanques’’, afirma Pavanelli.Gilberto Pavanelli faz recomendações para evitar mortandade de peixes durante invernoMarcos Zanatta

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