Como escolher a máquina certa
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de novembro de 1997
Cristina Côrtes 
Na hora de escolher uma nova máquina, seja um trator, colheitadeira ou um implemento, o produtor deve estar atento para comprar a máquina certa para sua área. Deve evitar a aquisição de produtos mal dimensionados tanto para menos quanto para mais.
Para o professor Carlos Antônio Gamero, do Departamento de Máquinas e Mecanização da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu (SP), é comum o produtor comprar uma máquina com potencial acima de suas necessidades. Esta não é uma mania apenas do produtor rural, mas de muitos consumidores que compram, por exemplo, um relógio à prova dáagua que resiste a um mergulho de 300 metros de profundidade, sabendo que nunca vão mergulhar a esta profundidade, mas compram por impulso ou influenciados pelo marketing.
O exemplo, segundo o professor, serve para ilustrar uma situação que ocorre no meio rural quando não há uma análise criteriosa por parte do produtor, na maioria das vezes, por falta de informações.
OrientaçõesEm primeiro lugar o produtor deve levar em consideração o tipo de operação que irá realizar; se vai fazer na sua área preparo convencional de solo, plantio direto ou cultivo mínimo. Depois é preciso considerar o tamanho da área e o tempo disponível para realização das operações.
Entre as orientações, o professor Gamero destaca uma que é fundamental: verificar, antes da compra de qualquer máquina, se existe assistência técnica próxima e a qualidade desse serviço. Quem adquire qualquer máquina ou equipamento, precisa ter uma boa assistência por perto, para não ficar na mão na hora que mais precisar. Por exemplo, na hora da colheita, diz Gamero.
Existem hoje no Brasil diversas indústrias de máquinas agrícolas com muitas opções para o produtor, desde máquinas de pequeno às de grande porte. O produtor pode buscar informações sobre qual a máquina mais apropriada para sua área, junto aos técnicos das cooperativas, pesquisadores, ou no Departamento de Máquinas da Unesp, por exemplo.
Segundo o professor Gamero, que faz pesquisa junto aos usuários de máquinas no Paraná, na condição de membro da Comissão Julgadora do Prêmio Gerdau Os melhores da Terra, as tecnologias desenvolvidas no Brasil não ficam devendo nada ao Primeiro Mundo.
Preço altoDe maneira geral os preços das máquinas no Brasil são considerados altos, comparados com a remuneração da atividade agrícola. Mas, segundo pesquisa feita pelo professor Gamero com usuários de máquinas no Paraná, quem tem boa produtividade consegue investir em máquinas. Mais da metade dos 150 produtores entrevistados responderam que acham o preço justo.
No entanto, outros levantamentos mostram que o parque de máquinas agrícolas brasileiro está sucateado, significando que o agricultor não está renovando seus equipamentos. Das duas uma: as máquinas estão muito caras ou os produtores estão descapitalizados. Segundo Gamero o produtor está descapitalizado.
A frota atual de tratores no País é de 600 mil máquinas. Considerando que a vida útil de cada máquina é em média 10 anos ou 10 mil horas, o mercado brasileiro precisaria repor anualmente 60 mil tratores. Em 94, considerado um ano excelente em vendas, foram comercializados 38.500 tratores; em 96, 10.290, muito abaixo da demanda. Em termos de colheitadeiras, em 96 foram vendidas 900, quando deveriam ser colocadas no mercado aproximadamente 4.000 unidades.
A relação custo-benefício é um dos outros itens que deve ser analisado pelo produtor. Tanto na hora da compra, quanto ao longo do tempo de uso.Quando o equipamento vai ficando muito velho, às vezes dá mais prejuízo que lucro para o usuário. O preço pago pelo equipamento tem que compensar pelo retorno que vai proporcionar. O professor recomenda também a pesquisa de mercado. No Paraná ele entrevistou dois produtores que pagaram pelo mesmo trator preços com diferença de R$15 mil. É uma diferença muito grande, mesmo considerando que os produtores são de regiões distantes uma da outra.
Gamero lembra que existem muitas opções para o produtor, principalmente para quem explora áreas menores. Por exemplo, uma empresa nacional, do Rio Grande do Sul, está vendendo semeadoras a preços que variam de R$6 a R$7 mil.


