COMO É O SUPERPRECOCE
O sistema superprecoce tem por objetivo aumentar a taxa de desfrute dos rebanhos bovinos através do abate aos 12/13 meses de idade, com 16 arrobas e cobertura de gordura que atenda as exigências dos frigoríficos, evitando as perdas decorrentes do resfriamento, preservando a coloração e características da maciez. A explicação é do professor e pesquisador da Unesp/Botucatu, Antônio Carlos Silveira.
Desmame Para atingir o objetivo, bezerros machos e fêmeas ao pé das matrizes devem ser suplementados com ração concentrada pelo sistema do creep feeding e desmamados em média aos sete meses de idade. ‘‘Os machos deverão ter, nessa idade, no mínimo 240 quilos de peso vivo’’, avisa o pesquisador.
ConfinamentoA seguir os machos serão confinados por um período de 150 a 180 dias e abatidos com 12/13 meses, com peso de 16 arrobas, eliminando-se assim a fase de recria. As fêmeas irmãs, imediatamente após a desmama, devem ser recriadas em pasto de inverno ou de capim no sistema rotacionado e suplementado, se necessário, a fim de que elas ganhem por volta de 600 gramas/dia em 180 dias, para atingir peso de cobertura em torno de 300 quilos.
Nesta etapa as fêmeas devem ser inseminadas de preferência com sêmen de outra raça de origem européia, com parição prevista para 22/23 meses de idade, aconselha Silveira. Bezerros machos e fêmeas com 3/4 de sangue europeu, deverão ser abatidos com 12/13 meses de idade no sistema superprecoce.
EficiênciaPara garantir a eficiência, após o desmame dos bezerros, de acordo com Silveira, as mães serão suplementadas a pasto por um período de quatro a seis meses, sendo abatidas com 34 a 36 meses de idade com peso superior a 15 arrobas e, consequentemente, com preço equivalente ao dos machos.
‘‘Com este sistema, a taxa de desfrute ultrapassa a 40% e, como em sua maioria, os bezerros machos e fêmeas são abatidos dentro de um ano de idade, o retorno do capital investido é rápido e a carne produzida é de excelente qualidade, uma vez que a idade é a ferramenta principal para garantir a maciez, condição especial para o produto ser comercializado no mercado interno e externo’’, garante Silveira.
Além disso, o couro dos animais jovens apresenta características de qualidade superior, sendo também considerado produto de exportação, tanto pela porosidade, como pela ausência de defeitos e ataque de ectoparasitas comuns nos animais abatidos tardiamente.
Escolha das raçasO ponto inicial do processo, no entanto, avisa Silveira, está na escolha das raças para os cruzamentos industriai; ‘‘uma vez que a precocidade é uma característica herdável e a escolha dos animais deve recair nas raças, linhagens, ou mesmo indivíduos que alcancem a puberdade primeiro, o que coincide com os animais mais eficientes.’’
A suplementação dos bezerros no creep feeding tem por finalidade, explica Silveira, não interromper o crescimento dos bezerros, o que normalmente ocorre após dois meses de idade, pela queda da produção leiteira da mãe. O concentrado deverá apresentar valor nutritivo similar ao do leite materno.
ConversãoO fornecimento da ração deverá ser livre, pois não ultrapassa a 1.100 gramas/cabeça/dia, para ganhos de peso da ordem de 1 kg/dia, mostrando uma conversão alimentar média de 1 para 1, que pode ser considerada bastante baixa e, por conseguinte, econômica se comparada com a fase seguinte e do confinamento propriamente dito.
No creep feeding com cocho de sal para as baias, em confinamento, os animais chegam a consumir de seis quilos de matéria seca/dia no início a oito quilos de matéria seca/dia ao final do período, com uma conversão média de 7 por um. ‘‘Dessa forma, pode-se facilmente verificar que o retorno financeiro do creep feeding é grande e, portanto, quanto mais pesados forem os bezerros na desmama, mais baixo será o custo de produção do sistema.’’
No confinamentoDurante o confinamento o volumoso deverá fornecer o mínimo suficiente de fibra para garantir a ruminação, enquanto o concentrado deverá ser de fácil aproveitamento pelos microorganismos. ‘‘Os concentrados fornecerão energia para os microorganismos se desenvolverem, aumentando a população microbiana, que ao passar para o intestino durante a ruminação poderá cobrir em até 70% as exigências diárias de proteína para o animal, garantindo assim o seu desenvolvimento.’’
Dentro desse conceito, segundo o pesquisador, os concentrados podem perfazer de 80 a 90% do total da matéria seca da dieta desde que os 10 a 20% restantes sejam de um volumoso que realmente forneça fibra efetiva, como é o caso respectivamente de feno ou de silagem de sorgo ou milho com 35% de matéria seca.
ManejoO manejo profilático recomendado para o sistema, segundo Silveira, segue basicamente o de vacinação adotado para os rebanhos bovinos de corte como vacinas contra febre aftosa, brucelose (para as fêmeas), carbúnculo e raiva (por recomendação regional).(C.B.)

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