Atrás de todo movimento de moda existe mais do que o talento dos estilistas, envolvendo alta tecnologia. As roupas e acessórios de peles e couros de peixes alinhavam ainda nesse mercado o pioneirismo da pesquisa maringaense, que num trabalho de bastidores pode contribuir com o sucesso de quem nunca se preocupou com tendências, o pequeno produtor.
A indústria também está no foco desse trabalho ao exigir produtos de qualidade e que atendam aos mercados nacional e internacional. Pequenos produtores que desejam diversificar a produção com a piscicultura podem dividir uma fatia desse bolo, produzindo peças artesanais.
O que definirá se a pele e o couro têm condições de subir na passarela como produtos de alta qualidade ou se estão apropriados para a confecção de artesanato é o processamento.
No projeto multidisciplinar da UEM, envolvendo entre outras áreas a Zootecnia, Química e Moda, a preocupação dos pesquisadores é encontrar alternativas de processamento que aumentem a resistência, elasticidade e maciez das peles e couros - resultados que para a indústria e o pequeno produtor significam mais dinheiro no bolso.
O processamento é complexo, demorando cerca de 24 horas. Começa com a hidratação das peles e couros descarnados. Em seguida é feito um intumescimento do material com cal e sulfeto de sódio.
Dependendo da espécie de peixe esse processo pode levar de 2 a 12 horas. Entre os pescados que despertam maior interesse do mercado estão o linguado, o robalo, a pescada amarela e a tilápia.
O processamento envolve ainda várias outras etapas incluindo a colocação de enzimas proteolíticas, retirando o restante de proteínas das peles e couros, além do acréscimo dos curtentes.
As peles e os couros são recurtidas, tingidos e engraxados para que as fibras sejam lubrificadas, o que os deixa com textura macia e suave.
''O ideal é que o processo dure cerca de 24 horas, dando mais folga entre uma etapa e outra, para que o produto final tenha mais qualidade. A beleza das peles e couros independe se os peixes são de água doce ou salgada, mas o tamanho e o comprimento das lamélulas de inserção das escamas é que tornam as peças mais atraentes. Geralmente, os homens preferem roupas e acessórios com lamélulas menores e as mulheres têm preferência pelas que chamam mais atenção'', afirma a pesquisadora Maria Luiza Rodrigues de Souza.
O laboratório da UEM, que deve começar a funcionar em novembro, possui equipamentos que testam a qualidade, maciez e elesticidade das mantas de peles e couros, que resultam do processamento.
''Conseguimos analisar a qualidade do couro, matéria-prima tanto da indústria como do pequeno produtor que se dedica ao artesanato'', acrescenta a pesquisadora. (F.L.)

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