Como abater bois com um ano
Como abater bois com um ano
Associação de Confinadores e Unesp/Botucatu trabalham para abater animais aos 12/13 meses
Cláudia Barberato
Hoje, para ganhar dinheiro, o pecuarista tem que fazer o boi superprecoce, com abate aos 12/13 meses de idade. A afirmação é do produtor Geraldo Petreche, da Associação Nacional dos Confinadores (Asscon), com sede em São Paulo, que está firmando parcerias com instituições de pesquisa por todo o País para incentivar a produção do animal de ciclo mais curto.
Segundo Petreche, a pecuária de corte ainda precisa avançar mais na precocidade, uma vez que a idade de primeira cria das fêmeas e o tempo para o abate dos machos, em média, no Brasil, ainda é de quatro anos. A consequência é uma taxa de desfrute entre 16% e 18%. Mesmo o avanço do precoce, com abate aos 18/20 meses, em muitos casos ainda é insuficiente para aumentar a lucratividade do pecuarista.
Uma parceria entre a Assocon e a Unesp de Botucatu, SP, foi iniciada há 10 meses. Em março foi assinado o Programa Nacional de Produção do Novilho Superprecoce, pelo então ministro da Agricultura, Arlindo Porto. O Programa define como é a produção do superprecoce e o padrão de carne e couro dos animais.
Maior desfruteO sistema do superprecoce, segundo Antônio Carlos Silveira, um dos pesquisadores da Unesp que estão envolvidos no projeto, além de eliminar a recria e possibilitar o abate de animais com um ano de idade, com carne de qualidade superior, proporcionará um aumento nas lotações das pastagens, antecipação da idade na primeira parição das fêmeas e finalmente um aumento mínimo de quatro vezes sobre a taxa de desfrute do rebanho.
A Assocon, segundo Petreche, deverá acionar não só produtores, mas indústrias de processamento e comercialização de carne e couro do País, para melhor remuneração desse tipo de animal. O objetivo é mercado interno e externo, além de aumentar a rentabilidade do pecuarista com o maior desfrute do rebanho, haverá o ganho com a venda do couro dos animais.
Taxas menoresOutro objetivo é conseguir a liberação de financiamento, com juros mais baixos do que os praticados atualmente para a agricultura, por exemplo, para desenvolvimento de tecnologias de produção do superprecoce, como compra de sêmen, instalação do sistema de alimentação dos bezerros em creep feeding, entre outros investimentos necessários. Não é necessário gastar muito dinheiro para fazer o superprecoce, mas como o pecuarista foi se descapitalizando ao longo dos anos, hoje não tem como fazer nem pequenos investimentos.
Para a produção do superprecoce o pecuarista terá também que ser um bom agricultor, avisa Petreche. Segundo ele, 75% da alimentação dos animais são provenientes do milho, em forma de silagem ou grão úmido. Para isto o pecuarista terá que ter um financiamento escalonado. De acordo com Petreche, o BNDES e outros bancos estudam o perfil do Programa do Superprecoce para a liberação de um financiamento de baixo custo ao setor que já enfrenta altos índices de tributação.
Para divulgar o superprecoce a Assocon está fazendo seminários e encontros em todo o País e incentivando a instalação de núcleos da entidade em Estados onde a pecuária de corte está mais desenvolvida. Hoje a entidade tem 300 associados. Novos núcleos deverão ser fundados em Dourados, MS, e em São José do Rio Preto, SP. Na área técnica estão estudando outras parcerias com a USP de Pirassununga, SP e Unicamp, de Campinas.
LucratividadePetreche garante que um produtor que neste ano fará 800 animais precoces, por exemplo, com a adoção de tecnologia para o superprecoce poderá produzir, no ano que vem, entre cinco e seis mil animais. Com isso aumentará desfrute e lucrativade.
Hoje o desfrute do rebanho brasileiro é de 18% e o consumo per capita é de 35/36 quilos/carne/ano. Se houver melhora do poder aquisitivo da população e aumento de consumo de 1 kg/per capita/ano, é possível aumentar o desfrute para 30% a 40%; a partir de abate de animais precoces entre 18 e 20 meses e supreprecoces, com abate aos 12 ou 13 meses.





