O Brasil poderá se tornar um grande exportador de um novo tipo de commodity - a ambiental. O conceito, formulado pela economista Amyra El Khalili, foi apresentado no seminário ‘‘O Setor Financeiro e o Meio Ambiente’’, promovido pela Câmara do Comércio Brasil-Estados Unidos, no Rio de Janeiro. Esse termo - genuinamente brasileiro - engloba sete matrizes: água, energia, minério, biodiversidade, madeira, reciclagem e controle de emissão de poluentes.
Segundo a economista, responsável pela Rede CTA (Consultant, Trader and Adviser - do Sindicato dos Economistas de São Paulo), se chama de ambiental qualquer commodity produzida de acordo com critérios de desenvolvimento sustentável.
Um exemplo é a água mineral, desde que produzida segundo os critérios de preservação ambiental, como a conservação dos aquíferos e da mata ciliar. Ela avalia que o Brasil possui todas essas commodities em abundância e esse é um mercado em expansão. Um dos setores que poderá crescer é o de projetos de reflorestamento destinados ao sequestro de carbono. Até novembro deverá sair a regulamentação desse mercado, com a continuidade do debate sobre o Protocolo de Kyoto.
A indústria engarrafadora de água mineral e potável de mesa teve em 1999 uma produção de mais de 3 bilhões de litros, dos quais 779.000 litros foram exportados, principalmente para o Paraguai, Bolívia e Uruguai. Em contrapartida, foram importados 1.376.000, a maior parte foi procedente da França, Trinidad-Tobago, Portugal e Reino Unido.
Conforme Amyra El Khalili ‘‘o Brasil tem potencial de exportação dos insumos vitais para a agricultura e a indústria, (e principalmente para a sobrevivência do homem e do planeta) ou seja, as commodities ambientais, as sete matrizes que interligadas entre si compõem o conceito commodities ambientais que estabelece a necessidade da agregação de valor com uma contabilidade oposta ao conceito de lucro imediato e linear das commodities tradicionais.
Ela ressalta que o Brasil é o único país/continente do mundo que possui em abundância todas as sete matrizes e que devem ser exploradas através da filosofia do desenvolvimento sustentável, na construção de um ‘‘mercado’’ consciente que promova o bem-estar social e a paz no mundo. ‘‘As commodities ambientais são a arma mais poderosa para estabelecer a paz, e se mal utilizadas podem fomentar (e já geram há milênios - Israel, Africa, Timor, Kosovo) as guerras’’ disse.
Entre as commodities ambientais, segundo a economista, a água é uma das mais importantes. ‘‘Devemos lidar com a água com o devido respeito. Ela pode ser tratada como uma ‘‘commodity ambiental’’, ou seja, mercadoria originada de recursos naturais em condições sustentáveis, somente se as variáveis sociais - nível de educação, distribuição de renda, saúde, empregabilidade dos cidadãos - forem levadas em consideração e se houver a participação da sociedade na manutenção, destinação, administração e principalmente na comercialização, de acordo com leis claramente estabelecidas. Isso preservaria a soberania nacional dos povos e também contribuiria para erradicar a fome e a miséria em nível global, com respeito às leis naturais’’ declarou Amyra El Khalili.
‘‘A água é uma oferenda que não pode ser desprezada, nem controlada por alguém que queira fazer monopólio desta riqueza. Mas nunca na história dos desertos a água deixou de fazer parte da vida comercial, parte de tudo que nasce e circula no mundo dos mercadores. Infelizmente, ao contrário dos valores dos povos nômades, a água é o principal instrumento econômico, presente em acordos de guerra, tão potencial e voraz quanto o petróleo’’, afirma a economista.
A autora é editora da revista Águaonline, representante no Brasil do Comitê de Comunicação da Associação Mundial da Água. Contatos pelo e-mail: [email protected] ou no site:www.aguaonline.com.br.

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