Antes de integrar o Comitê Feminino da Corol, a vida da dona de casa Ana Maria Forster, como ela mesmo define, era simples e se baseava nas responsabilidades com a casa, a criação dos três filhos e o seviço no campo no Distrito de Bartira, em Rolândia. Os filhos já estão criados, mas na propriedade de 54 hectares, ela ainda ajuda o marido no cultivo de soja, milho, trigo, cana e café.
A rotina difícil não impediu que ela tivesse mais disposição para encarar além dos afazeres domésticos, um trabalho extra na conscientização de outras mulheres para a participação delas na vida do campo, não apenas no trabalho braçal. Ela integra o grupo de mulheres cooperativistas desde 1991, quando o comitê chegou ao distrito, já como presidente. De lá para cá, foi só crescimento. ''Eu evoluí muito. A vida era uma antes do comitê. Agora sou outra pessoa'', afirma.
Como presidente do comitê Ana Maria passou a fazer cursos que além de agregar valores à renda da família, ajudou em seu crescimento interior. ''Você passa a se relacionar melhor com as pessoas, perde a vergonha de conversar, de falar em público, se intera de tudo o que está acontecendo e ajuda no crescimento de outras pessoas''. Tudo o que aprende, ela repassa para as companheiras, mulheres de outros produtores.
Ana Maria comanda um grupo de 26 mulheres no distrito, integrantes do comitê e igualmente preocupadas em melhorar de vida. Os trabalhos no grupo são discutidos uma vez por mês, quando as mulheres definem o que será prioridade para elas. Além dos cursos, geralmente de culinária ou artesanato, que ajudam a agregar renda às famílias, as mulheres têm cursos de oratória e participam de palestras onde são orientadas sobre tudo o que diz respeito ao trabalho no campo. Elas também desenvolvem trabalhos sociais, como campanha do agasalho, cafés-da-manhã em entidades assistenciais, entre outras atividades.
A exemplo deste, outros 34 comitês que contam com a participação de cerca de mil mulheres, estão espalhados pela área de abrangência da Corol. Um encontro na última sexta-feira em Rolândia, marcou a confraternização entre mais de 800 mulheres, esposas e filhas de cooperados da Corol, que discutiram o papel da mulher cooperativista na família e na cooperativa. As integrantes tiveram palestras motivacionais e participaram de um almoço.
Fundado há 22 anos, o comitê feminino tem a função de trazer a mulher para dentro da cooperativa, fazendo dela empreendedora. ''É uma transferência familiar dos negócios. Elas têm necessidade de participar e conhecer os negócios do campo'', ressalta o vice-presidente da Corol, Antônio Sérgio de Oliveira.
Para a assessora de cooperativismo Marilise Zagabria Solle, o trabalho é extensivo e apresenta bons resultados. As coordenadoras são capacitadas e repassam o que aprenderam para as outras integrantes do grupo. As reuniões
são feitas nos entrepostos da cooperativa ou na própria comunidade.

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