Produtor diz que o caminho é a profissionalização
Produtor diz que o caminho é a profissionalização | Foto: iStock

Um dos pontos mais importantes do levantamento dos custos de produção da Faep, sem dúvida, é o produtor ter um embasamento concreto para negociar com as integradoras e assim melhorar os preços recebidos pela cabeça da ave. Ao apresentar os números na mesa durante as Comissões de Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (Cadecs), é possível provar que a conta não está fechando e é necessário reajustes.

Algo muito comum é a mesma empresa pagar valores diferentes ao avicultor, dependendo da região. A ideia então é apresentar esses encargos e sair da reunião com a integradora remunerando o melhor possível.

O Presidente da Comissão Técnica (CT) de Avicultura da Faep e vice-presidente da Comissão de Aves e Suínos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Carlos Bonfim, é avicultor há 11 anos em Castro, com média de 400 mil frangos griller distribuídos em dez aviários por lote. Ele ressalta que com esse levantamento, foi possível negociar melhores valores com a integradora este mês de agosto. “Vamos brigando até que a empresa pague a remuneração de uma cidade que está melhor que a nossa. Este ano foi possível um aumento de 6% devido ao levantamento de custos da Faep. Nossa unidade era a menos remunerada”, explica.

Imagem ilustrativa da imagem Comissão de Avicultura aconselha negociação com empresas
| Foto: Folha Arte

Como foi dito por outros produtores à reportagem, Bonfim também reforça que a situação só vem piorando nos últimos três anos. Operações como a Carne Fraca, associado a embargos europeus levaram a situação, segundo ele, ao fundo do poço. “Os três itens que mais oneram é a mão de obra e seus encargos, energia elétrica e aquecimento, dependendo da região. Fica difícil economizar. O que mais a gente vê é produtor mandando funcionário embora e ele mesmo tocando a atividade, ou ainda com empregados na informalidade, o que é ilegal. Por outro lado, as empresas não remuneram de acordo com esses custos.”

Para o representante da cadeia, a esperança está na retomada das exportações, principalmente com as novas compras da China e também do mercado europeu. “O mercado de frango virou commodity, baseado na oferta e demanda mundial e dependendo também do preço dos grãos. Chegamos no fundo do poço e imaginamos daqui pra frente uma melhora da situação, principalmente devido ao mercado internacional.”

Por fim, Bonfim relata que outras indagações precisam ser feitas para que os avicultores continuem firmes na atividade. Ele questiona, por exemplo, o modelo de integração, que “foi muito bom e inovador”, mas que de uns seis anos para cá precisa se atualizar. “Qual é o caminho da avicultura? Vai ser mão de obra familiar como nos últimos 20 anos ou vamos nos tornar empresários, com mais barracões, mas enfrentar os encargos trabalhistas?”

Para ele, o caminho é a profissionalização, mas as empresas integradoras precisam auxiliar nesse sentido. “Hoje os produtores é que são os responsáveis por esses encargo trabalhistas e as empresas não colocam isso na planilha de custos. Esse é um grande embate.”

Outro ponto citado por ele é que mesmo aqueles avicultores que persistem na atividade com mão de obra familiar precisam estar mais atentos nessa relação de trabalho. “O produtor não pensa muitas vezes que precisa se aposentar, de uma assistência médica, estudo para os filhos... A empresa vai deixando ele tocar o negócio, aí quando o avicultor está mais velho, o filho foi para a cidade, ele se cansa e abandona o negócio. Canso de ver aqui na região barracões caídos, porque ninguém se preocupou com uma previdência privada. Isso também precisa estar na planilha de custos (das integradoras).”

SINDIAVIPAR

Sobre a remuneração estabelecida pelas indústrias avícolas aos seus cooperados ou integrados, o Sindiavipar (Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná) esclarece que ela é feita com base na produtividade, sendo assim, quanto mais eficiente a produção do integrado ou cooperado, maior será a sua renda.

A entidade ainda reforça que o bom desempenho alcançado na avicultura do estado, com recordes seguidos em produção e exportação só é possível por conta da parceria existente entre indústria avícola e produtores de frango, na qual ambos vêm conquistando resultados extremamente positivos.

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