Para José Antônio Fontes, conselheiro do Conesa e presidente da Associação Nacional dos Produtores de Bovino de Corte (ANPBC), muitas perguntas ainda faltam ser respondidas. Segundo ele, durante a última reunião extraordinária do Conesa, em março, foram repassadas apenas informações superficiais.
''O que importa é saber o impacto disso em toda a cadeia. E, nesse sentido, nossas perguntas não foram respondidas'', afirma Fontes. O pecuarista observa que se o Paraná for área livre de aftosa sem vacina, animais vivos de outras regiões não poderão entrar aqui, mas a carne sim. A preocupação dele é com a comercialização, com o fato de que os frigoríficos acabem comprando carne de outros estados, por exemplo, prejudicando o comércio paranaense.
Além disso, teme que o Estado passe pelos mesmos problemas que Santa Catarina, reconhecida como área livre da doença sem vacina, onde a genética desapareceu. E observa que o Paraná não é uma ilha, não tem como viver isolado, depende do intercâmbio comercial com outras regiões. E reclama que desde que a Seab fez o pedido ao Mapa para que o Estado se torne área livre de aftosa sem vacina, a ANPBC vem solicitando à secretaria os impactos econômicos e técnicos dessa medida, mas sem sucesso. ''Eles dizem que pode abrir mercado. Mas isso não vai impactar em nada porque a exportação do Paraná representa muito pouco da nacional'', frisa.
Fontes pontua que a medida não pode ser política, tem que ser técnica e com responsabilidade, avaliando prejuízos, riscos e mostrando garantias desses impactos negativos. ''A medida é extremamente precipitada na forma e no tempo. É uma medida que tem que ser discutida profundamente, envolvendo outros estados'', conclui.
O pecuarista André Carioba observa que é preciso ter a salvaguarda dos riscos inerentes a essa medida. Lembra que os cuidados para manter o status deverão ser redobrados, pois o Paraná tem divisas com outros estados e países. Carioba teme que o Estado passe por um problema como o do Rio Grande do Sul, que não vacinava e em 2000 teve um foco da doença e o estado não conseguiu manter o status.
Carioba participou essa semana de uma reunião sobre febre aftosa em São Paulo, durante a Feicorte, em que estavam presentes representantes do Mapa e de secretarias estaduais de agricultura de São Paulo, Minas e Goiás. Segundo o pecuaristas, eles acenaram com o interesse em também se tornar área livre da doença sem vacina, mas não pretendem isso agora. Na opinião dele, o Paraná deveria caminhar junto com esses estados. ''Tomar essa atitude agora e sozinho pode ser perigoso'', pondera. (E.Z.)

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