Aprimorar as técnicas produtivas, preservar o meio ambiente, promover os direitos dos trabalhadores rurais e organizar a propriedade. Essas são algumas das exigências para obtenção do selo de certificação fair trade, que concede, em contrapartida, maior rentabilidade ao produtor e garantia de conhecimento da origem da matéria-prima ao consumidor. Com base nessas premissas, a procura pelo modelo de comércio justo cresce no mercado globalizado e começa, também, a ganhar mais espaço na cadeia produtiva e nas gôndolas de supermercados brasileiras.
O consultor do Sebrae, Odemir Capello, explica que o fair trade é uma certificação que trata de segurança alimentar e da segurança do trabalhador. ''O produtor precisa se adequar a todos esses critérios, inclusive passar por um processo de gestão da atividade e melhoria da qualidade do produto, dando tratamento empresarial para sua propriedade'', afirma. Outra exigência para obtenção do selo é de que os produtores utilizem apenas mão de obra familiar. Com o intuito de promover o desenvolvimento local, a certificação é concedida apenas para grupos, associações ou cooperativas.
Além do preço de comercialização ser acima da média praticada no mercado convencional, o fair trade ainda resulta em prêmio destinado para a cooperativa, para investimento em melhorias coletivas. O prêmio equivale a 10% do valor da saca, que é adicionado ao preço acordado no comércio. O selo de certificação fair trade é concedido pela entidade internacional Flo-Cert, sediada na Alemanha. Em todo o mundo, o selo é aplicado em diversas culturas, mas no Brasil o modelo ainda é iniciante e envolve as cadeias de mel, frutas, cacau, ouro, algodão e café.
Capello revela que o café fair trade agrega de 30% a 40% de valor, em comparação ao vendido no mercado de commodities. ''Hoje, de todas as certificações, o fair trade é que a agrega mais em termos de valor'', ressalta. Segundo o consultor do Sebrae, atualmente há uma demanda espontânea de cafeicultores paranaenses que querem formar grupos para obter a certificação fair trade. ''Criamos a regra de que é necessário ter, no mínimo, 10 produtores no município para formar um grupo'', aponta.
Para o representante da Bourbon Specialty Coffees, Marcelo Viviane, o comércio justo possibilita a circulação da informação na cadeia produtiva, sendo que o cliente tem informação sobre a produção e a produção sobre o cliente. Segundo ele, isso melhora as relações comerciais e faz com que o produtor possa direcionar ações em sua propriedade para melhor atender a demanda. Ele destaca a transparência entre cliente, fornecedor, organizações de apoio, produtores, exportadores e importadores. ''O fair trade está relacionado à agricultura familiar, respeita a diferença cultural, valoriza a participação da mulher no processo produtivo, o respeito à mão de obra contratada e protege o menor da exploração de trabalho infantil'', argumenta.
Segundo Marcelo, 2004 é considerado o ano de consolidação do comércio justo, quando houve um incremento de US$ 1 bilhão nas vendas em varejo de produtos fair trade. De 2001 a 2005 foi um período de crescimento do segmento, que ainda permanece em ascensão. Ele relata que entre 2005 e 2007, a exportação de café brasileiro fair trade dobrou, de 2007 para 2008, dobrou novamente e, em 2009, apresentou crescimento de cerca de 20% a 30%. Em 2010, o Brasil exportou 130 mil sacas de café fair trade e, no total, 20 organizações realizam essas exportações.
O representante da Bourbon afirma que o preço mínimo do café fair trade convencional natural é de US$ 178,58 por saca de 60 kg, mas o valor pago pela saca de café bebida dura ultrapassa R$ 580. ''O valor mínimo é baixo hoje, mas garante conforto e segurança ao produtor em outros momentos. Somente em 1986 e em 2011 o valor do café comercializado ultrapassou esse valor mínimo''. lembra. Atualmente, a Bourbon comercializa para Estados Unidos, Canadá e Europa cafés certificados fair trade de oito organizações do Sul de Minas, duas de São Paulo e uma do Paraná.

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