Fair Trade como é conhecido internacionalmente o comércio justo é uma parceria baseada em diálogo, transparência e respeito, que busca maior igualdade no comércio internacional. Pela definição da Federação Internacional de Comércio Alternativo (IFAT), o comércio justo contribui para o desenvolvimento sustentável garantindo melhores condições de troca e de direitos aos produtores e trabalhadores marginalizados, principalmente do hemisfério Sul.
''A iniciativa tem como principal objetivo estabelecer um contato direto entre produtor e comprador e tirá-los da dependência dos atravessadores e das instabilidades do mercado global de commodities'', explica Fabio Gonçalves dos Anjos, presidente da Cooperativa Agroindustrial Solidária de Lerroville (Coasol) que reúne 48 pequenos produtores de café do distrito. O grupo se prepara para atender o mercado externo seguindo as regras do mercado justo.
Segundo ele, a relação comercial entre o produtor e o consumidor precisa obedecer princípios precisos para que possa ser considerada justa. Entre eles, os mais relevantes são a transparência e co-responsabilidade na gestão da cadeia produtiva e comercial; relação de longo prazo que ofereça treinamento e apoio aos produtores e acesso às informações do mercado; pagamento de preço justo no recebimento do produto, além de um bônus, que deve beneficiar toda a comunidade, e ainda financiamento, quando necessário.
Os produtores devem ser organizados democraticamente, de preferência em cooperativas que realizam auto-gestão, e essas organizações devem respeitar as leis e normas nacionais e internacionais. O comércio justo prevê ainda o respeito ao meio ambiente e a proibição do trabalho escravo e do uso de mão-de-obra infantil. ''Lugar de criança é na escola'', defende Fabio dos Anjos.
Ele é um dos participantes do projeto interministerial para o desenvolvimento do mercado justo no Brasil, que prevê o trabalho conjunto entre os ministérios do Desenvolvimento Agrário, do Desenvolvimento Social e do Trabalho na difusão do comércio justo e solidário e da agricultura orgânica no País. ''Temos realizado reuniões quinzenais com representantes dos produtores, dos empreendedores sociais, dos consumidores, das organizações não-governamentais e instituições de pesquisa com o intuito de elaborar uma legislação nacional que favoreça essa modalidade de comércio'', ressalta o presidente da Coasol.

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