Comércio exterior traz vantagens
São Paulo - A importação de etanol dos Estados Unidos pelo Brasil é financeiramente viável neste momento, de acordo com cálculos do consultor Júlio Maria Borges, da Job Consultoria, especializada no setor sucroalcooleiro. De acordo com Borges, mesmo com o imposto de importação cobrado pelo governo, de 20%, a importação é vantajosa financeiramente e também operacionalmente viável. Já importamos dos Estados Unidos no passado, disse.
O consultor explica que o valor do anidro nos portos do Nordeste está em torno de US$ 790 por metro cúbico ante US$ 480 por metro cúbico nos Estados Unidos. A vantagem é de US$ 310, o que torna viável a operação mesmo com o imposto pago pelo importador, explica. No Centro-Sul, o preço do anidro está em US$ 750, e a importação também é viável. Segundo ele, a importação se torna mais competitiva ainda no Nordeste em função do menor custo de frete. A vantagem de US$ 310 por metro cúbico não leva em consideração os custos com frete, elevação e impostos.
Segundo Borges, a viabilidade da importação deve-se ao maior preço no Brasil e um preço relativamente baixo nos Estados Unidos. A matéria-prima do etanol norte-americano é o milho, que está com o preço baixo. Assim, os produtores norte-americanos estão com uma boa oferta de etanol sem perder a margem, afirma. O consultor explica que o Brasil poderia importar dos Estados Unidos um volume de até 1 bilhão de litros, e desta forma suprir eventuais necessidades durante a entressafra.
O período em que a importação é viável será curto, de acordo com Borges. As importações devem ocorrer entre janeiro e abril, no máximo. Depois os preços internos voltarão a cair no Brasil e esta janela de oportunidade irá sumir, disse. O consultor ouviu rumores de que algumas empresas estavam consultando a importação mas não soube de nenhum negócio fechado. Se acontecer, será uma ótima operação de mercado e também política, já que será um avanço para que o etanol se torne uma commodity a partir do momento em que o Brasil deixará de ser o único exportador, afirma.
O presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçucar), Renato Cunha, disse que nenhuma operação de importação de etanol foi confirmada no Nordeste. Nenhum navio desembarcou etanol nos portos do Nordeste até o momento, disse. Cunha também não acredita que importações deverão ocorrer se o governo não der a prerrogativa da operação para o produtor. Se acontecerem estas importações, elas deverão ser realizadas pelo produtor e não por distribuidoras, disse.
Com o Nordeste, que está em plena safra, trazendo para o Centro-Sul grande parte de sua produção de etanol para satisfazer a demanda atual, a expectativa é de que, a partir de abril, quando o Nordeste estiver em entressafra, exista uma demanda por etanol naquela região que não poderá ser atendida pelo Centro-Sul e tenha que ser atendida por importações, seja dos Estados Unidos, seja de países da América Central. (E.M./A.E.)





