Comércio cada vez mais exigente
Características dos produtos exigem mais profissionalização na hora da comercialização
Cristina Côrtes

Milton Dória
PotencialA produção de tomate, cenoura, pepino e berinjela da região tem excelente qualidadeA comercialização de hortifrutigranjeiros no Brasil ainda é pouco profissional, com alto índice de perdas que reduzem a rentabilidade do produtor. Nos grandes centros de consumo, alguns representantes dos diversos segmentos deste tipo de comércio começam a discutir aspectos como embalagens, pontos de vendas e tercerização.
‘‘A tendência é atender melhor o consumidor, que está mais exigente, e buscar maior rentabilidade’’, diz o agrônomo João Neto do Prado Souza, que é produtor de tomates e presidente da Associação Norte-Paranaense de Horticultores (Apronor). Ele informa que já tem empresas em São Paulo que estão estruturando unidades de testes para terceirização na venda de hortigranjeiros dentro dos grandes supermercados. Outra estratégia é divulgar informações para o consumidor sobre os aspectos nutricionais da espécie de interesse comercial, além das características medicinais e receitas diferentes. João Neto lembra o exemplo do aumento do consumo da berinjela, quando foram divulgados seus efeitos no controle do colesterol.
Pontos críticosAs hortaliças e frutas têm uma comercialização diferenciada de outros produtos agrícolas, devido principalmente a sua alta suscetibilidade às mudanças climáticas quando ainda estão na lavoura, e também serem altamente perecíveis depois da colheita. O primeiro fator é responsável pela maior ou menor oferta do produto, e será determinante do preço final, e o segundo pode fazer a diferença para o comprador que quer qualidade.

Milton Dória
João Neto, presidente da Apronor, diz que é preciso profissionalizar a comercilização do setorSegundo o gerente da Ceasa de Londrina, economista Valério Borba, a central é uma praça de comercialização que recebe os mais diversos tipos de compradores, atacadistas de outros locais, supermercados, quitandeiros, donos de hotéis e restaurantes. ‘‘Os preços são formados na hora da venda, sem uma cotação anterior, e podem sofrer grandes variações de um dia para o outro’’, comenta Valério.
De maneira geral, as perdas em hortaliças acontecem nas várias etapas do processo. Na lavoura, no desenvolvimento das plantas, na colheita, no trasnporte, na embalagem, na hora da comercialização, na mesa do consumidor e também dentro da geladeira. Um dos caminhos apontados por João Neto para a valorização de cada produto é a classificação, separando os tipos, e a embalagem, se possível, ainda na propriedade. ‘‘Este procedimento simples evitaria perdas e agregaria valor para o produtor’’, diz.

Milton Dória
A reativação da Ceasa de Londrina ampliou as oportunidade de vendas dos produtos da regiãoPotencialA reativação da Ceasa de Londrina no mês passado ampliou as oportunidades de comercialização para os produtores da região. Depois de 30 dias de funcionamento, a avaliação é positiva. Segundo Clóvis Tsuzaki, presidente da Associação Representativa dos Usuários da Ceasa (Arucel), a procura tanto de produtores quanto de compradores neste primeiros dias superou as expectativas.
Atualmente são 146 boxes em funcionamento; 188 ‘‘ pedras’’ cobertas e mais 200 não cobertas, em contrução. ‘‘Os boxes são usados pelos atacadistas e as ‘pedras’ pelos produtores que vendem diretamente os seus produtos’’, explica Clóvis. Neste primeiro mês foram vendidas, em média, 600 toneladas/dia pelos produtores e 510 toneladas/dia pelos atacadistas.
Visitam a Ceasa diariamente 750 compradores, e a média de produtores é de 250, que ofertam aproximadamente 140 espécies de hortaliças. Segundo Valério Borba, que já trabalhou na Ceasa de Cascavel e Curitiba, os produtos produzidos nesta região são de excelente qualidade. ‘‘A região tem potencial para concorrer com oferta de produtos para compradores de todo o Brasil e precisa investir nisso, divulgando melhor seus produtos’’. Algumas espécies como tomate, cenoura, pepino e berinjela são destacadaos pelo gerente da Ceasa como produtos que podem concorrer com as grandes produções de outras regiões.
Grandes produtores costumam comercializar sua produção sem sair da propriedade. Os compradores acertam antecipadamente a compra, e somente o que sobra é levado para a Ceasa. Já os médios e pequenos produtores dependem exclusivamente das centrais de comercialização,
A produção de hortaliças também tem uma comercialização atípica quando a opção do produtor é pelos sistemas orgânico ou hidropônico, que têm um mercado completamente diferenciado em relação a preços, a pontos de vendas, e estratégias para atingir o consumidor.

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