Comercialização lenta preocupa cooperativas
Com a depreciação do preço do milho, as vendas do grão estão mais lentas neste ano. Até o momento, um pouco mais de 25% da safra paranaense foram comercializados, contra 80% em relação ao mesmo período do ano passado. Flávio Turra, gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), afirma que a margem de lucro do agricultor caiu muito, ainda mais porque os custos de produção aumentaram 6% de um ano para cá.
A produção das cooperativas paranaenses está estimada em 5,5 milhões de toneladas, em uma área plantada de um milhão de hectares. Tanto a área, quanto a produção nesta safra serão equivalentes ao ciclo 2012/13. Porém, com a queda de preços e o aumento dos custos de produção, esta segunda safra será um pouco mais apertada financeiramente para as cooperativas do Paraná. "Ainda não temos muita pressão de venda de milho", declara Turra.
Mesmos com os preços baixos da commodity, o que tem aliviado as cooperativas paranaenses é a boa qualidade de grãos. "Tínhamos uma preocupação com o excesso de chuva, mas felizmente não afetou a qualidade do milho. Isso trouxe uma certa tranquilidade para as cooperativas", observa o porta-voz da Ocepar.
Contudo, Turra frisa que a lentidão na comercialização é o fator que mais tem preocupado as organizações paranaenses. Segundo ele, somado à safra de verão, o Paraná tem 9 milhões de toneladas de milho disponíveis para comercialização. Para complicar ainda mais este cenário, muitos agricultores estão segurando as vendas à espera de um aumento de preços que pode não vir.
Turra completa que a boa safra nos Estados Unidos deverá suprir boa parte da demanda internacional pelo grão, o que poderá reduzir as exportações brasileiras e elevar o volume de estoques no mercado interno, forçando ainda mais os preços da commodity para baixo. A estimativa da exportação brasileira do grão neste ano é de 17 milhões de toneladas, ante 24 milhões de toneladas de milho embarcadas em 2013. (R.M.)





