Comercialização é principal gargalo
O principal gargalo para a agricultura orgânica no Norte do Paraná, na opinião da engenheira agrônoma Ernestina Izumi Muraoka, ou Tina como é mais conhecida, da Emater de Uraí, está na comercialização dos produtos. O consumidor da região de Londrina, segundo ela, não aceita pagar um pouco mais pelos produtos sem agrotóxicos.
A diferença de preços, como calcula se deve à maior exigência de mão-de-obra. ''O custo de produção é mais baixo quanto ao uso de insumos. Mas há necessidade de mais pessoas para uma atenção preventiva constante'' afirma.
Além da diferença nos preços Tina cita ainda a falta de organização dos produtores que acaba por comprometer a periodicidade da oferta dessas hortaliças. ''Um produtor sozinho não tem volume de mercadorias para garantir a constância do produto nas prateleira. É preciso formar grupos e com isso fechar uma cota semanal de entregas'', sugere.
Tina coordena um grupo de seis produtores que fechou um contrato com uma empresa de Curitiba, para a entrega de mais de uma tonelada de produtos por semana. Além de facilitar o pagamento do frete a empresa garantiu um preço fixo para os produtos. ''Não corremos os riscos das oscilações de mercado'', comemora.
Com a ausência de mercado direto em Londrina, parte desses produtos que saem de Uraí, vão para Curitiba e retornam para cá tendo nos preços esses custos de transporte. Há ainda vendas acertadas com mercados de São Paulo. ''Não temos condições de bancar a abertura de um mercado em Londrina'', resume a agrônoma Tina.
Outros produtos como a soja e o café orgânicos, já possuem mercado certo para a exportação, a comercialização já está totalmente estruturada. ''Há grandes empresas que realizam esse serviço e levam tudo o que é produzido na região'', informa.(C.G.)





