Comercialização anima produtores
Os ovinocultores que conversaram com a FOLHA na ExpoLondrina mostraram-se bastante satisfeitos com a atividade. Thiago Macedo trabalha com 500 cabeças das raças Dorper e White Dorper em Mandaguari há nove anos. Ele apostou na atividade por seu pai ser professor da Universidade Estadual de Maringá (UEM) na área de ovinocaprinocultura. "Escolhemos os ovinos pelo motivo de ter uma boa rentabilidade e maior consumo pelos brasileiros", avalia.
Macedo comenta que houve uma evolução muito grande neste período, "apesar da cadeia continuar atrasada em comparação aos bovinos". Não por acaso, até hoje o País continua importando carne uruguaia para o consumo interno, já que os produtores não conseguem atender a demanda. "Temos conseguindo bons preços. Ao longo dos anos houve uma valorização interessante. Atualmente, o preço das carcaças está entre R$ 20 e R$ 25 o quilo, enquanto o custo de produção gira em R$ 12 por quilo. Em nosso caso, abatemos a nossa produção num frigorífico da região, a 40 quilômetros da propriedade."
No que diz respeito ao manejo, Macedo comenta que os animais são bastante sensíveis, principalmente em relação à verminoses, mas com atitudes simples é possível criar os cordeiros de forma tranquila. "Muitos criadores acabam entrando na atividade sem se profissionalizar, pensando apenas no bom momento do mercado, e depois acabam desistindo", relata o produtor. "Nossa pretensão é aumentar o número de animais para atender o mercado, mas agora tiramos um pouco o pé do acelerador para ver como o mercado vai se comportar neste momento mais delicado da economia."
Ricardo Garcia é médico veterinário e ovinocultor em Rolândia e trabalha com um rebanho puro de 15 animais das raças Dorper e White Dorper. Garcia está focado neste momento na formação de um plantel com investimentos em genética e também na comercialização de animais vivos. Para isso, ele possui um rebanho de 150 cabeças de ovelhas mestiças, que são cruzadas com os animais puros. "Estou há dois anos e meio na atividade e muito satisfeito até agora. A ovinocultura nacional está mais reconhecida e a carne com uma melhor aceitação da população, que está aprendendo a comer a carne de cordeiro."
Ele relata ainda que a comercialização de animais vivos vive um bom momento. O ovinocultor compara com a arroba do boi e, fazendo as contas similares, decreta que o retorno é duas vezes maior. "Uma ovelha mestiça de qualidade, produtiva e sadia sai na faixa de R$ 550 a R$ 600. A atividade está sendo muito rentável na propriedade", conclui. (V.L.)





