Até quinta-feira, cerca de 9% da área de soja já tinham sido colhidas no Paraná, mas ainda não se concretizam os temores de mais perdas no volume de produção
Até quinta-feira, cerca de 9% da área de soja já tinham sido colhidas no Paraná, mas ainda não se concretizam os temores de mais perdas no volume de produção | Foto: Gustavo Carneiro



A colheita de soja chegou a 9% no Paraná sem que se concretizassem os temores de aumento de perdas pelo excesso de chuvas de janeiro, segundo a estimativa de safra divulgada na última quinta-feira (22) pelo Deral (Departamento de Economia Rural) da Seab (Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento). No entanto, o índice ainda indica atraso em relação ao ciclo 2016/17, que estava em 31% no mesmo período, e apertará a janela de plantio de culturas de segunda safra.

O cenário da produção de soja, cultura que ocupa pouco mais de 90% da área plantada na safra de verão do Paraná, é o tema do próximo programa Multi Agro, que terá ainda um bloco sobre confinamento. Apresentada por Luly Barreto, a edição inédita vai ao ar às 8 horas deste domingo (25), no canal MultiTV, com reprises durante toda a semana.

A safra 2017/18 de soja contou com dificuldades imprevistas pelos serviços de meteorologia, como estiagem na hora do plantio, falta de luminosidade na hora do desenvolvimento das plantas e chuvas em excesso até mesmo no início da colheita. O resultado foi o atraso no ciclo, com aperto na janela de início das culturas de inverno, além de abortamento de vagens e aumento da incidência de ferrugem asiática no Estado.

Nada que tire o ânimo do produtor, que mantém boa parte da produção recorde do período anterior estocada à espera de melhores cotações no mercado, mas que deve contar com uma produtividade média superior aos 3,5 mil quilos por hectare (kg/ha) e um total de 19,3 milhões de toneladas (t). Mesmo porque seria difícil reproduzir os números da safra 2016/17, que contou com condições climáticas excelentes e terminou com rendimento de 3,7 mil kg/ha e 19,8 milhões de t do grão.

Em área plantada, por outro lado, houve aumento de 5,2 milhões na safra passada para 5,4 milhões de ha no ciclo 2017/18, uma alta de 4%.

QUALIDADE
O economista Marcelo Garrido, do Deral, diz que o maior problema foi mesmo o combate a pragas e doenças, já que a maior umidade e menor luminosidade favoreceram a proliferação de fungos e da ferrugem asiática nesta safra em relação à anterior. De acordo com o Consórcio Antiferrugem, foram 109 registros da doença até o momento neste ano, no Estado, 25% a mais do que os 87 casos de 2017. "O que temos ainda de preocupação é com relação à qualidade da soja, que pode ser prejudicada caso as chuvas continuem durante o período de colheita."

Ele lembra que o Deral chegou a divulgar uma previsão de colheita 1% maior para a safra 2017/18 no início do ciclo. "Com o andar da safra, é bem possível que essa diferença, essa redução, diminua ou até não aconteça", afirma Garrido.

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