Começam remates do Terceiro Milênio
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sábado, 13 de janeiro de 2001
Jota Oliveira De Londrina 
O leiloeiro Gilnei Ceretta, diretor da Leilopec, faz hoje, 13, a partir das 18 horas, no Centro de leilões de Sapopema, seu primeiro remate de gado geral. Serão colocados à venda 500 cabeças de bois, bezerros, garrotes, novilhas e vacas. Ele espera bom resultado, apesar de alguns problemas
Dentre as expectativas do setor, a mais importante é a abertura das barreiras sanitárias de Mato Grosso do Sul e outros Estados, prevista para depois do dia 22/1. Agora com tráfego livre, acredito que os preços de reposição dos animais mandados para o frigorífico se mantenham como estavam em novembro, a R$40,000 a arroba, embora agora estejam mais baixos, por volta dos R$38,00 a arroba do gado para abate. A reposição geralmente acompanha o abate, ficando 5% acima a 5% abaixo do preço das reses gordas.
O ministro Pratini de Moraes, da Agricultura e do Abastecimento, encaminhou à Organização Internacional de Epizootias (OIE), com sede em Paris, relatório da situação da febre aftosa nos rebanhos do Circuito Pecuário Leste, formado pelos Estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Sergipe; partes de Minas Gerais, Tocantins, Mato Grosso do Sul e as zonas-tampões (cinturões de proteção) de Mato Grosso, Goiás e São Paulo.
Essa área toda tem 55 milhões de bovinos e, segundo o Ministro, não registra casos da aftosa há mais de dois anos. Pratini não pretende alterar as normas do trânsito de animais na região antes do encontro da OIE marcado para o dia 22 deste mês em Paris. nestas semana, o Ministro assinaria portarias declarando a região livre de febre aftosa com vacinação, o que garantirá o trãsito de animais na área.
Aumento da ofertaO leiloeiro Gilnei Ceretta espera o aumento da oferta de gado (para abate e reposição) nos leilões no Paraná, porque Santa Catarina fechou a barreira sanitária e não deixa gado nenhum entrar ou sair, para qualquer fim, embora o problema de aftosa venha ocorrendo no RS.
Gilnei lembra que muita gente vem de Santa Catarina, para comprar gado nos leilões do Paraná, mas devido à barreira contra a aftosa, não adianta comprarem, porque não poderão cruzar a fronteira do Estado. Em consequência, em Santa Catarina o boi gordo para abate está a R$41,00 a arroba.
No entanto, ressalva Ceretta, sempre há preço para animais de excelente qualidade e isso compensa, apesar do pecuarista investir mais na qualidade, para competir no mercado.
Os leilões comuns, realizados fora dos calendários oficiais de exposições, não têm créditos de bancos oficiais, embora algum outro banco possa oferecer empréstimo.
O produtor pecuarista tem sentido um problema antigo: a ameaça constante de calote pelos frigoríficos. Tanto que, recentemente, dois frigoríficos do Norte Pioneiro fecharam as portas sem pagar ninguém. Os fornecedores que esperavam receber pelo gado entregue, para fazer reposição, ainda estão esperando. Foi uma paulada, porque o pecuarista tinham vendido para receber depois do abate, como todos fazem, acrescenta Gilnei, que conclui: Mas, para os leilões, a situação deve se manter como a do ano passado.
IndenizaçãoO Ministro da Agricultura assinou quinta-feira, 4, a liberação de R$1.999.648.18, para indenização de 486 produtores, donos de 11.080 animais sacrificados no ano passado em quatro municípios do Rio Grande do Sul devido à aftosa. O pagamento está sendo feito desde terça-feira, pelo Banco do Brasil.
Segundo o ministro Pratini de Moraes, os resultados da sorologia em 51 propriedades atingidas pela doença não apresentam mais atividade viral. Porém, resta um problema: o Ministério vem, insistindo, para a Argentina comunicar oficialmente o surgimento de casos de aftosa na Província de Entre Rios. Informalmente, os argentinos têm negado a existência de foco, mas é necessário um comunicado oficial, para o Brasil poder atender pedido do Rio Grande do Sul e fechar a fronteira com aquele país.


