Maringá — As chuvas da semana passada e início do mês, após mais de 20 dias de estiagem, foram providenciais para a largada do plantio da próxima safra em todo Estado. O bom preço e a expectativa de uma comercialização ainda melhor em 2004 - por conta da quebra de safra dos Estados Unidos -, colocam a soja como principal produto em liquidez e margem de lucro.
  No decorrer da semana a queda de temperatura chegou a suspender o plantio em algumas propriedades, mas a única conseqüência - segundo técnicos da pesquisa - é pequeno atraso na germinação, suficiente, porém, para aumentar o risco de patógenos. Embora a data ideal de semeadura ainda esteja começando, a maioria dos produtores tem pressa de ‘‘tirar’’ a soja mais cedo e semear safrinha de milho ano que vem, aproveitando a promessa de bons preços.
  A Estimativa de aumento da área de plantio em 6% projetam uma produção paranaense entre 11,8 a 12,4 milhões de toneladas.
  Já o milho, em função da queda do preço, terá área de plantio reduzida em 13,7%. Dos 8,3 milhões de toneladas colhidas na safra 2002/2003, a expectativa é de que a produção da próxima safra fique entre 6,9 a 7,5 milhões de toneladas.
  Na estimativa da produção de grãos, a previsão do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) para a safra 2003/2004 é de 27 milhões de t, podendo chegar a 29 milhões de t e, dependendo das condições climáticas, até 30 milhões de t.
  De acordo com o chefe do Núcleo Regional da Seab Maringá, Renato Cardoso Machado, a área de maior expansão da soja este ano, será na região do Arenito Caiuá, no noroeste do Estado. Em todo Paraná a soja vai ocupar uma área de 3 milhões 859 mil 530 hectares. Na safra 2002/2003 foram plantados 3 milhões 619 mil 735 hectares de soja.
  Conforme Machado, os agricultores estavam aguardando a chuva para fazer o manejo de ervas daninhas e dar início ao plantio da próxima safra.
  O milho está em fase mais avançada já que muitos produtores arriscaram fazer o plantio mesmo antes da chuva. Com as exceções do milho, que terá o plantio reduzido, e do café que deverá manter a mesma safra 2002/2003, as principais culturas cultivadas no Paraná deverão registrar aumento de área e de produção.
  O algodão deverá surpreender com um aumento de área de 18.2%, passando de 30 mil hectares para 37,1 mil ha. A expectativa de produção para a próxima safra é de 81 mil a 88 mil toneladas.
  A mandioca, que nos últimos dois anos registrou uma oscilação de preço extrema mas atualmente vive dias de normalidade com mercado garantido entre as farinheiras, deve ter um aumento na área de plantio de 29,7%, passando de 110,8 mil hecatres para 147,7 mil hectares.
  Na região de Maringá, de acordo com o coordenador técnico da Cocamar, Antonio Sacomam, a expectativa é de que sejam colhidos na próxima safra 900 mil toneladas de soja.
  Dois fatores, segundo ele, contribuíram para o aumento da área de plantio e produção. Um deles é que a soja já vinha apresentando um bom preço desde a última safra estimulando os produtores a manter e, em alguns casos, aumentar o plantio. O segundo fator é sem dúvida a quebra de safra dos Estados Unidos que fez o preço aumentar ainda mais e deixou os produtores eufóricos com a expectativa de rendimentos bem acima da média.

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