Começa a rastreabilidade para as frutas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de março de 2002
Cristina Côrtes<br>Reportagem Local 
A comercialização de frutas azedas, sem padrão e com defeitos está com os dias contados, segundo o economista Luiz Antonio Fayet, coordenador do Programa Hortiqualidade do Paraná. A instrução normativa do ministério da Agricultura que determina a rastreabilidade das frutas começando pelas uvas e abacaxi, (publicada início de fevereiro) deu início a uma revolução tecnológica e cultural que irá muito longe abrangendo outras frutas, legumes, verduras e flores, destaca Fayet. A partir deste ano a produção de abacaxi e uvas deve cumprir as exigências de rastreabilidade.
As novas normas vão beneficiar produtores, comerciantes e consumidores, e pretende resolver de vez um dos principais pontos de estrangulamento da cadeia produtiva de hortigranjeiros, que é a comercialização. Segundo Fayet, um terço do que se colhe de frutas e legumes no Brasil é perdido pelo fato destes produtos serem altamente perecíveis.
Vencendo etapas
O trabalho da rastreabilidade de hortifruti é bastante complexo porque cada espécie tem características muito diferentes umas das outras. As principais etapas do programa são classificação, depois embalagem e a rotulagem dos produtos. Segundo Fayet o trabalho do Programa Hortiqualidade, que começou em 99, tem contado com a parceira do CEAGESP-SP que já tinha um trabalho bastante adiantado com relação a classificação, vinculada às práticas de mercado e compatíveis com os sistemas internacionais. No Paraná a integração entre as várias instituições como a Seab, Emater, Faep, Sebre e Ocepar, agilizaram a estruturação do novo sistema de rastreabilidade que começa a funcionar este ano.
Com a normatização da rastreabilidade, o próximo passo é formação de certificadoras junto ao ministério, com modernas técnicas. A seguir serão criados sistemas alternativos de comercialização. Segundo Fayet está em fase de projeto a criação o sistema de cotações de frutas e criação de uma linguagem própria de classificação com código de barras, para comercialização via bolsa de mercadorias.
Outra etapa é difusão de todas estas mudanças junto aos envolvidos na cadeia. Fayet informou que já está montado junto ao Senar um sistema de difusão com treinamento para toda a cadeia da uva e abacaxi. No ano passado o Senar treinou 2.000 pessoas, e este ano a expectativa é treinar 100% da demanda da cadeia da uva e abacaxi. infoma
Mais organização
Segundo Fayet a reorganização de todo o setor vai ser obrigatória. Os grandes compradores vão querer garantir a fornecimento e quando se moraliza a comercialização os produtores mais caprichosos vão sair na frente, enquanto os maus produtores terão que se adaptar ou sair da atividade.
Outros sgmentos como as centrais de comercialização, transportes e embalagens terão que também se adaptar para seguir as novas orientações.
Classificação
A definição de padrões vai permitir que os produtos devidamente classificados recebam rótulos, uma espécie de carteira de identidade, registrando todas as suas características, mas principalmente a origem.
A garantia da qualidade dos produtos vai permitir que sejam vendidos e comprados por sistemas eletrônicos, sem a necessidade de prévia verificação física, mas com total confiabilidade, explica Fayet. O novo sistema de rastreabilidade que está sendo construido pretende definir numa linguagem própria, clara e comum a todos da cadeia as informações sobre cada produto.
Desta forma, os produtos poderão ser colhidos, classificados, embalados e armazenados próximos da produção, de onde sairão diretamente para os pontos de consumo ou distribuição, evitando passeios (transportes desnecessários), transbordos, manuseios, contaminações, esperas, e outras tarefas que além de onerosas levam à deterioração dos produtos. Só nisso espera-se reduzir metade das perdas, além de melhorar a qualidade e a sanidade os produtos. Quanto aos custos, é óbvio que se reduzirão, analisa o economista
Com a rotulagem o intermediário e o consumidor final poderão adquirir o produto do jeito que se quer; ácido ou doce, variedade, tamanho, etc, sem tocá-lo, sem experimentá-lo.
Embalagens
As indústrias das embalagens terão que seguir uma nova padronização que irá também provocar uma revolução no segmento, comenta o economista. As embalagens terão que seguir o padrão em função dos paletes ( estrados de tamanho 1m x1,20, que seguem o padrão dos containers e das empilhadeiras indústriais, que seguem, por sua vez os padrões da logística internacional.
Hoje as embalagens variam com o tipo de produto, e uma padronização também interessa aos fabricantes, tendo em visa a economia de custos, pois serão todos iguais, mudando-se apenas a estampa com o nome da marca. Segundo Fayet, toda a estrutura deverá estar sedimentada em três anos.


