Começa a colheita no arenito
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sexta-feira, 20 de março de 1998
Vânia Moreira 
LembrançaCocho no meio da soja, a única lembrança do antigo pastoA colheita esperada é superior a 1 milhão de toneladas. É uma safra histórica, por ser a primeira no solo de arenito do Noroeste do Paraná; em segundo lugar porque toma o lugar do boi, que ocupava mais de 80% das terras da região, onde o solo está empobrecendo devido à exploração inadequada. O responsável pela substituição de pastagens por soja é o Programa de Arrendamento de Terras, o Pater, lançado em janeiro do ano passado pela Prefeitura de Umuarama.
O Pater negociou arrendamentos em 18 municípios. Se há um ano disséssemos que Umuarama poderia produzir soja, seríamos chamados de loucos, diz o prefeito Fernando Scanavaca. Contrariando órgãos oficiais de assistência técnica que apontam o solo arenoso como inadequado para esse tipo de lavoura, a Prefeitura procurou sojicultores interessados na oferta abundante de terras para plantar, e convenceu pecuaristas da necessidade de reformar as pastagens.
PrimeiroO agricultor Leopoldo Amaro Guimarães, de Bragantina, Oeste do Paraná, foi um dos que acreditaram no plantio de soja no arenito. Guimarães arrendou, do pecuarista Valdemar Guidelli, 133 hectares da Fazenda São Marcos, em Umuarama. Semana passada o governandor Jaime Lerner esteve na propriedade, para iniciar a colheita da safra de soja no arenito. Guimarães espera colher em torno de 40 sacas por hectare e garante estar satisfeito com os resultados.
Álvaro OrsiComeça a colheita de soja na região do arenito
Jaime Lerner prometeu criar em Umuarama um centro de pesquisa do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) sobre o cultivo de soja no arenito, para apoiar o Pater. Nossa intenção é mudar o perfil econômico de Umuarama, adotando a soja como a principal alternativa para integrar agricultura e pecuária, gerar renda e recuperar o solo empobrecido pela exploração exaustiva das pastagens, diz o engenheiro agrônomo e secretário municipal da Agricultura, Edson Assis Bastos.
DegradaçãoNa região de Umuarama a produtividade das pastagens está caindo rapidamente. Estima-se que o gado ocupe hoje mais de 80% das terras agricultáveis. Segundo Bastos, são cerca 1,3 milhão de hectares de pastos, dos quais mais de um milhão estão completamente degradados. O rebanho não ultrapassa 1,4 milhão de cabeças. A maioria das áreas já não comporta mais que um animal por hectare.
Bastos garante que, com solo fértil e manejo adequado, poder-se-ia obter uma lotação de até quatro cabeças por hectare. A situação é crítica e algumas áreas já podem ser consideradas improdutivas, o que está atraindo a atenção dos sem-terras. Duas fazendas de gado, em Icaraíma e Mariluz, já foram invadidas. Mesmo assim, muitos pecuaristas ainda relutam em arrendar as pastagens. A procura é maior que a oferta de terras.
Para a próxima safra os idealizadores do Pater esperam dobrar a área plantada. Nos dois primeiros meses de 98, pelo menos 100 agricultores de seis Estados visitaram Umuarama para conhecer o Pater. Pelo interesse, vai ser fácil dobrar a safra do ano que vem, prevê Bastos. Estima-se que a safra deste ano faturará pelo menos R$12 milhões.


