Combate realista à fome
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de novembro de 2000
Da Redação 
A Agência France Presse (AFP) anunciou que o futuro diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o tailandês Supachai Panichpakdi, advertiu na última quarta-feira, 15, que o próximo ciclo de negociações comerciais poderá sair dos trilhos, se forem fixados objetivos muito ambiciosos.
Supachai pediu realismo aos membros da OMC, num discurso para empresários reunidos à margem da cúpula de cooperação econômica da Ásia e Pacífico (APEC). Se quiserem colocar todos os temas juntos, poderá ficar impossível, para não dizer impraticável, a cooperação dentro da OMC, advertiu ele.
Supachai assumirá a diretoria da OMC, por três anos, em 2002, e se referia, na reunião internacional, à vontade de alguns membros da OMC de iniciar negociações as mais globais possíveis. No discurso, advertiu: ...precisamos reduzir um pouco nossas ambições. Temos que ser mais realistas.
Lembra a AFP que as divergências sobre a agenda das negociações, fizeram fracassar o lançamento de um novo ciclo em Seattle, nos Estados Unidos, em dezembro de 1999. Outros fracassos poderão vir, enquanto grande parte da população mundial (e brasileira) passa fome. Tudo pela má distribuição de riquezas: todos os países produzem alguma coisa de valor, porém são comuns as cenas globais de lavradores jogando fora ou destruindo suas produções.
No caso dos lavradores, as palavras do engenheiro-agrônomo Francisco Barbosa, do Departamento Nacional do Café, podem explicar: Os produtores brasileiros aumentam a produtividade, diminuem custos, mas os preços dos produtos agrícolas estão em queda... Porém, o custo social da fome é, principalmente, uma questão de Governo e de instituições internacionais, como a OMC, que em vez de discussões sem fim, em reuniões caríssimas e sem resultados, deveria tomar decisões imediatas em benefício dos famintos, dos doentes, dos carentes de todo tipo.
Por aqui, o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, anunciou a primeira previsão da safra 2000-2001: 91,2 milhões de toneladas de grãos. Como todo ano, no início do plantio, o Governo anuncia uma superssafra que quase sempre acaba frustrando-se devido a problemas do tempo: seca na hora de plantar, chuva na hora de colher e falta de dinheiro no momento certo e na quantia necessária. O produtor, além de ser explorado pela intermediação no Brasil mesmo, não tem instrumento eficaz para participar do mercado internacional. Carlos Langoni, ex-presidente do Banco Central, disse na televisão, nesta semana: O Brasil não tem uma cultura exportadora...
Assim, não pode matar a fome do brasileiro, nem contribuir para alimentar outros povos pobres. Ainda no ano passado, o presidente da Embrapa, Alberto Duque Portugal, falava do trabalho da pesquisa agropecuária para o combate à fome e para a segurança alimentar: As comemoracões do Dia Mundial da Alimentação, em 16 de outubro, sob a coordenação da FAO e com a participação de entidades governamentais e da sociedade civil, constituiram-se em oportunidade para uma reflexão mais profunda sobre a missão de nossas organizações e o papel de cada indivíduo na sociedade brasileira, quanto ao combate à fome e a medidas de segurança alimentar...
A Conferência Pobreza e Desigualdade de Renda em Países em Desenvolvimento, promovida pelo Centro de Desenvolvimento, no âmbito da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 30 de novembro a 1º de dezembro, em Paris, será uma oportunidade para as nações participantes aplicarem os conselhos do próximo presidente da OMC e, em vez de estabelecerem uma programação inviável, resolver em conjunto e dar combate efetivo à fome e à subnutrição.


