No Paraná existem 700 mil hectares de reflorestamento de pinus em três grandes pólos regionais, Guarapuava, Telêmaco Borba e Região Metropolitana de Curitiba . Desse total, segundo dados da Associação Paranaense de Empresas Florestais (APRE), cerca de 120 mil hectares apresentam danos causados pela vespa-da-madeira (Sirex noctilio), praga que chegou ao Estado há apenas quatro anos. Isso representa quase metade dos 300 mil hectares de reflorestamento atacados pelo inseto em 1999. Segundo informações da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o prejuízo anual causado pela vespa é de de US$ 7 milhões.
Ameaça O inseto foi detectado no Brasil pela primeira vez em 1988, no Rio Grande do Sul. Em áreas atacadas cerca de 10% dos pinus em idade de corte são inutilizados. A vespa chegou ao Paraná em 1996, vinda de reflorestamentos catarinenses. ‘‘Cerca de 70% dos proprietários de florestas paranaenses tem consciência do problema, mas ainda existem aqueles que não querem investir na prevenção e combate à vespa’’, diz o presidente da Associação Paranaense de Empresas de Florestas (Apre), Roberto Gava. A Apre reúne 40 reflorestadoras do Estado.
‘‘Temos o exemplo de uma área de 500 hectares no Rio Grande do Sul que foi totalmente perdida pela infestação da vespa no ano passado’’, lembra Gava, que já presidiu o Fundo Nacional de Controle à vespa-da-madeira. Esse fundo foi criado para financiar atividades de pesquisa e combate à praga.
Além da vespa, existem outras pragas que causam danos comerciais aos reflorestadores. Nos últimos anos tem crescido o volume de prejuízos gerados por duas espécies de pulgões aos pinus. Essa praga está disseminada do sul do País até o Estado de Minas Gerais. A partir desse ano o Funcema está sendo ampliado para o combate ao fungo.
Pesquisadores da Embrapa também estão alertando sobre a entrada no País de uma nova praga: o Bezouro asiático. Ele não ataca pinus, mas causa danos a várias espécies de árvores ornamentais, muitas utilizadas em áreas urbanas.
PrejuízosA vespa-da-madeira é a principal praga em áreas de reflorestamento do sul do País. Onde os índices de ataque são altos, os prejuízos chegam a 100%. O maior problema é que ainda não existe uma forma de erradicação do inseto. Os métodos de controle biológicos existentes são capazes de fazer o controle de até 70% das vespas adultas.
‘‘O produtor tem que aprender a conviver com a praga depois que ela se instala’’, diz a pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Suzete do Rocio Chiarello Penteado, do Centro Nacional de Pesquisas (CNP) Florestas, em Colombo, Região Metropolitana de Curitiba. Segundo ela, em áreas onde o ataque chega a 50% das árvores os métodos de controle são ineficientes. Nesses casos é recomendado o corte raso.
A vespa da madeira ataca principalmente árvores estressadas a partir de oito anos de idade. ‘‘É nesse período que começa a maior competição por luz e nutrientes, deixando as plantas mais suscetíveis a ataques’’, explica a pesquisadora.
Uma das formas de prevenção ao ataque da vespa é o desbaste. Isso reduz a competição e a possibilidade de deixar as árvores estressadas. ‘‘Mas no Brasil os reflorestadores não costumam fazer esse manejo, o que facilita a disseminação da praga’’, lembra Suzete Penteado.
No Brasil, o método biológico mais eficaz de controle é a inoculação de nematóides (Deladenus siricidicola) nas chamadas árvores-armadilhas. Esse nematóide é importado da Austrália e multiplicado em laboratório no Brasil. ‘‘Isso não salva as árvores já atacadas, mas reduz o índice de infestação’’, afirma a pesquisadora.
Segundo a pesquisadora da Embrapa, para aumentar a eficiência dos métodos de controle o ideal é que as infestações sejam identificadas desde o início. Um dos principais sintomas da presença da vespa em área de reflorestamento é o aparecimento de respingos de resina em perfurações feitas pelas fêmeas para colocar os ovos. Também acontece o amarelecimento das copas de árvores atacadas devido a toxidez do fungo e mucosecreção. Quando os adultos saem da madeira eles deixam orifícios de emergência. Depois de cortado, o tronco apresenta manchas azuladas em sua parte interna devido a presença do fungo.

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