Combate à pobreza no campo
Antonio Manoel Poloni assume o comando da Secretaria da Agricultura num momento que o Estado começa a receber os recursos do Banco Mundial, que serão investidos num amplo programa de combate à pobreza no campo: o Paraná 12 Meses. A meta de Poloni é agilizar o repasse de 30% dos recursos, que somam R$356 milhões entre repasse do Banco Mundial e contrapartida do governo estadual. O Secretário pretende investir cerca de R$120 milhões até o final deste ano, entre o programa de vilas rurais e o apoio à infra-estrutura da pequena propriedade que vai desde o saneamento e a reforma da casa, até o financiamento de equipamentos para melhorar a produtividade.
Além do Paraná 12 Meses, Poloni terá a oportunidade de implantar um programa educacional para o campo. Através do atendimento direto ao homem do campo, a agricultura do Paraná será beneficiada, afirma. Ele tem como meta levar a formação profissional para os produtores rurais, com a ampliação do programa de escolas do campo e com isso pretende inaugurar uma nova forma de ação para a Secretaria da Agricultura. Na opinião de Poloni, uma agricultura forte só se consegue com a profissionalização do agricultor.
Poloni está decidido a iniciar rapidamente a execução do Paraná 12 Meses. Para isso determinou a organização e o treinamento das equipes da Seab e empresas vinculadas, que atuarão em todos os municípios. Cerca de 1.500 técnicos e 4.000 agricultores serão treinados para atuar nos conselhos municipais e regionais que aprovarão os projetos. Ele espera que os municípios também possam agir rapidamente na preparação da comunidade e na seleção e aprovação dos projetos apresentados. Segundo o Secretário, aqueles que se anteciparem na criação dos conselhos municipais, com a participação de representantes da comunidade, serão os primeiros a serem beneficiados. Com os quadros prontos, serão liberadas as primeiras reuniões e os contatos, definiu.
Poloni informa que as ações de erradicação da miséria serão contempladas pelo programa. Se a comunidade entender que uma pequena propriedade precisa de reforma na casa do agricultor, e de instalações para o saneamento básico doméstico, esse serviço poderá ser feito. Se é para dar conforto e qualidade de vida ao agricultor, para que ele tenha ânimo de trabalhar na atividade rural, por que não começar pela reforma da casa?, pergunta.
Sobre a implantação de estradas rurais, um programa de elevada demanda por parte das prefeituras, Poloni salienta que a iniciativa vai depender das comunidades rurais eleger esse setor como prioridade. Ele lembra que os conselhos regional e municipal é que administrarão o que deve ser feito. Ele insiste em que existem questões como a melhoria da casa e o saneamento básico, que são mais rápidas de serem atendidas, pela facilidade da execução e da agilidade de documentação. Talvez as estradas tenham uma demora um pouco maior, mas eu acredito que a Secretaria dos Transportes, responsável pelas obras nas estradas, será sensível à reivindicação dos agricultores, continua.
RealidadeO Secretário ressalta que o Paraná 12 Meses foi diagnosticado em função da realidade do Paraná. No período que os empréstimos ficaram emperrados no Senado, ocorreram investimentos para fomentar o plantio de café e algodão que já mudaram o quadro de algumas carências. Diante disso, os Planos de Desenvolvimento Rural (PDRs) poderão ser alterados por nova opção de investimentos das famílias. Além das obras de infra-estrutura, os recursos do programa permitirão a entrega de mais 200 vilas rurais este ano, devendo totalizar 330 vilas rurais até o fim de 1998, afirma.
Poloni fala também dos programas de apoio ao pequeno agricultor que já vinham sendo executados pelo seu antecessor, Hermas Brandão. Ele garante que os compromissos assumidos com os programas de apoio ao café adensado, calcário e algodão serão atendidos, conforme determinou o governador Jaime Lerner. Para se inteirar do assunto, Poloni esteve no Iapar, em Londrina, verificando as pesquisas nessas áreas. Com uma visão mais global da situação, definiu que o programa de café adensado deverá ter continuidade. Isto porque os agricultores estão mais conscientes de que a cultura deve entrar num modelo de diversificação e não como monocultura. Além disso o mercado está favorável à ampliação das lavouras, justifica.
Em relação à retomada do plantio de algodão, o Secretário admite que a situação é mais dificil. Ele antecipa que será feito um diagnóstico sobre a aplicação de recursos nessa área. Os técnicos visitarão as propriedades, para dimensionar os resultados do investimento feito na safra passada, e em seguida será apresentada uma proposta ao governador Jaime Lerner, que poderá recomendar a continuidade ou não do programa. Poloni destaca que os preços do algodão estão bons, mas que a prudência recomenda acompanhar o mercado: É preciso tomar cuidado para que o estímulo à retomada do algodão não tenha cunho paternalista, mas sim um programa que fortalecerá o agricultor para frente, frisa.
ProfissionalizaçãoO secretário da Agricultura quer ampliar o Programa de Escolas do Campo, administrado pela Codapar, que já envolve 30 estabelecimentos. Participam do projeto a Seab, as empresas vinculadas, a Secretaria da Educação e órgãos representantes da iniciativa privada como Senar, Sebrae e outras entidades. Trata-se de um sistema de formação e qualificação do agricultor que corresponde à profissionalização definitiva. Esse projeto começa com a criação das escolas do campo, com três anos de formação básica. Para que o homem do campo tenha uma formação mais geral, deverão ser criados, em conjunto com a Secretaria da Educação, 20 Centros de Estudos de Especialização Agrícola, onde a SEED dará os ensinos pós-médios do Proem na área agrícola.
Poloni explica que haverá um casamento entre as escolas do campo, os pós-medios com especialização em suínos, leite, milho ou a área que for mais conveniente ao agricultor, e posteriormente os cursos de qualificação rural, ministrados pela Emater e Senar. Ele justifica esse esforço, enfatizando que primeiro é preciso preparar o homem do campo com ensino especializado. Ele entende que a qualificação representa o aprofundamento do conhecimento e da atualização tecnológica, em que o agricultor já desempenha sua ação. Como o ensino regular não dá conhecimento na área agrícola, o produtor não consegue assimilar a qualificação dada pelos cursos oferecidos, argumenta. O resultado é o afastamento do campo.
As escolas do campo administradas pela Codapar têm como base a pedagogia da alternância, em que os jovens a partir de 14 anos recebem instrução especializada em agricultura, em período integral, durante 15 dias do mês. Nos outros 15 dias, os jovens ficam em casa, ajudando o pai na propriedade, onde têm a oportunidade de repassar os conhecimentos adquiridos na escola. É através da interação entre pais e filhos que se constrói um aprendizado forte, ao mesmo tempo em que se consolida o processo de melhoria da produtividade, explica o Secretário.
A educação especializada e profissionalizante é o caminho mais curto para que o agricultor se conscientize de que sua propriedade é uma pequena empresa que tem nas mãos. O seu negócio precisa ser muito bem administrado, para que tenha renda durante os 12 meses do ano e possa propiciar uma visão de futuro para ele e a família, conclui Poloni.
A autora é jornalista da Sucursal
da Folha em Curitiba.





