A redução da safra de feijão no Paraná tem causado aumento do preço do grão no varejo. A constatação foi feita pelo Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento).

Os preços do feijão-preto no varejo subiram 9% de maio para junho, acumulando uma alta de 11% nos últimos 12 meses. No campo paranaense, o feijão-preto respondeu por um pouco mais de 60% da produção de feijão nesta safra atual.

Cotado a R$ 5,78/kg em junho de 2026, o produto segue em patamares inferiores aos do feijão-carioca, atualmente a R$ 9,02/kg, valor que também supera os registros do mês anterior e de um ano atrás.

“Como o período de julho (e mesmo os meses de agosto a novembro) é de entressafra, é provável que os preços ao menos se mantenham nos patamares atuais ou caminhem para níveis maiores”, analisa Hugo Godinho, agrônomo do Deral.

Paralelamente ao impacto junto ao consumidor, os preços recebidos pelos produtores de feijão também vêm registrando alta.

“Em junho os preços se acomodaram um pouco, mas ainda estão praticamente 50% maiores do que em junho de 2025. Para julho, deverão continuar operando em patamares superiores aos de 2025”, projeta.

Com a colheita da segunda safra finalizada, estima-se uma oferta total de 526 mil toneladas somando os três períodos de plantio de feijão (1ª, 2ª e 3ª safras). Esse volume é 40% menor em comparação ao recorde obtido no ano passado no Paraná, quando foram colhidas 879,9 mil toneladas do grão.

A retração é motivada principalmente pela menor área dedicada à cultura – foram 511,6 mil hectares em 2025, que recuaram para 321,9 mil hectares em 2026.

Segundo Godinho, a redução de área é um reflexo dos preços mais baixos que eram praticados no momento do plantio.

“Apesar de alguns problemas climáticos terem sido identificados, não houve um recuo de produtividade que se possa dizer que tenha diminuído a oferta de maneira imprevisível. Prova disso é que o recuo de área foi de 37%, muito próximo do recuo de 40% na produção”, analisa.

O técnico acrescenta que a cultura do feijão, especialmente na segunda safra, é de alto risco, e dificilmente todas as regiões produtoras conseguem produtividades cheias em um ciclo.

Entre os principais desafios dos produtores de feijão paranaenses, o técnico destaca a instabilidade de preços e os riscos de produção. “Um está intrinsecamente ligado ao outro e ambos não são uma novidade para os produtores”, conclui.

VALORIZAÇÃO

O produtor rural Tiago Galina cultiva feijão há 20 anos em sua propriedade localizada em Clevelândia, região sudoeste do Paraná. A variedade mais plantada é o feijão preto IPR Urutau.

No ano passado, o produtor colheu 160 toneladas de feijão. Neste ano, a expectativa é colher entre 240 e 250 toneladas. Toda a produção é comercializada para uma empresa de alimentos e sementes em Clevelândia.

“Este ano o mercado está melhor do que 2025 devido a uma menor oferta, já que houve diminuição da área plantada e da produtividade”, destaca.

O cenário atual fez com que o preço da saca de 60 kg se valorizasse. “Em junho de 2025 o preço da saca era de aproximadamente 150,00 e em junho deste ano estava cerca de R$ 220,00, dependendo da quantidade”, compara.

Para obter o máximo de desempenho na produção de feijão, o produtor adota algumas práticas no campo.

“O mais importante é um bom manejo de solo com rotação de culturas, equilíbrio químico e biológico, tornando o ambiente favorável para um bom desenvolvimento da cultura.”

Ele acrescenta que, como a cultura do feijão é de ciclo curto e muito suscetível a problemas climáticos, o lucro depende muito desses fatores.

“Mas em condições ideais de clima e preços relativamente médios, as margens são interessantes podendo chegar a até 50%, mas geralmente ficam entre 20% e 30%”, conclui.

NO TOPO

O Paraná é o principal produtor de feijão do Brasil, com protagonismo do feijão-preto, sendo responsável por 25% da produção nacional do grão, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Na sequência vem Minas Gerais, com 20% de participação.

mockup