Com queda na demanda interna, produtores de frangos reduzem abates

O fechamento de restaurantes e lanchonetes pelo país tem levado a uma queda no consumo interno de frangos, o que levou alguns criadores a cortarem a produção

KATNA BARAN/Folhapress
KATNA BARAN/Folhapress

Curitiba - Setor poupado no início da pandemia do novo coronavírus no Brasil, o agronegócio também começa a sentir os primeiros efeitos da desaceleração da economia. O fechamento de restaurantes e lanchonetes pelo país tem levado a uma queda no consumo interno de frangos, o que levou alguns criadores a cortarem a produção. No Paraná, onde se concentra a maior produção de aves do país, pelo menos duas cooperativas de abates de aves já foram impactadas. A Copacol, de Cafelândia, no oeste do estado, cortou a produção em 17%, o que representa um dia de abates a menos na semana e redução de R$ 50 milhões no faturamento do mês. "Não sabemos quando as atividades como restaurantes, lanchonetes e bares vão voltar a funcionar normalmente e, como eles compram de grandes redes, elas estão sendo impactadas e, por consequência, nós também", explica o presidente da cooperativa, Valter Pitol. Ele garante que os cooperados não serão afetados diretamente pela redução.

Produção de frangos na região de São Miguel do Iguaçu
Produção de frangos na região de São Miguel do Iguaçu | Paulo Lisboa/Folhapress/Arquivo
 



O corte na produção da Copacol deve valer pelos próximos dois meses, quando novas análises do mercado vão definir se a medida será prorrogada ou não. Pitol avalia como positivas as medidas econômicas anunciadas pelos governos federal e estadual, mas ainda insuficientes para garantir os níveis de produção do setor. "A gente espera algo a mais para alongar algumas dívidas, para garantir investimentos, recursos e capital de giro", diz.



A Coopavel, em Cascavel, da mesma região oeste do Paraná, também está operando com capacidade reduzida. A queda na demanda interna levou à diminuição em 15% de abates de frangos e também de suínos. De 230 mil aves abatidas por dia antes da crise passou-se para 200 mil; nos porcos, a diminuição foi de 2.400 para 2.000. Para o presidente da cooperativa, Dilvo Grolli, os efeitos da pandemia devem se prolongar até o final do ano. "Estamos vivendo um novo período de recessão. Não vejo perspectivas de aumento do consumo em 2020", afirma.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirma que ainda não possui dados consolidados sobre o desempenho da avicultura do primeiro trimestre, mas admite que, análises preliminares "indicam uma tênue redução da produção". As exportações de frangos, segundo a ABPA, continuam em níveis positivos. Até o momento, os números do primeiro trimestre no Paraná são favoráveis. Em janeiro, foram abatidos 172 milhões de frangos no estado. Em fevereiro houve uma leve queda para 157 milhões e o número estabilizou em março quando os abates foram de 159 milhões. "Estamos avaliando diariamente as expectativas para os próximos meses, pois estamos em um momento de volatilidade", diz o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná, Domingos Martins.

Como o ciclo de vida do frango é mais curto, se comparado com outros animais, o mercado possui maior variação, apresentando diferenças ao longo das semanas, explica Martins.



Ou seja, eventuais efeitos serão sentidos no curto prazo. Porém, os dados das primeiras semanas de abril ainda não foram disponibilizados pela entidade. Apesar das dificuldades, outras cooperativas têm mantido os níveis de produção pré-crise. É o caso da Lar e da Frimesa, em Medianeira, e da Copagril, com sede em Marechal Cândido Rondon, todas do oeste do Paraná.

Criador de frangos em São Miguel do Iguaçu, Diogo Sezar de Mattia conta que a Lar, para a qual fornece as aves, até aumentou os abates. "A curto prazo, a ideia é manter essa pegada, mas cada dia é um dia, não adianta produzir se não tiver para quem vender", diz. A BRF, uma das principais empresas de alimentos do Brasil, informou que, até este momento, a demanda interna de produtos da companhia segue estável e o volume de produção se mantém normal. A garantia de uma relativa estabilidade do setor tem sido as exportações. China e Hong Kong compram 40% da carne suína brasileira destinada ao mercado externo, enquanto 43% do frango vai para China, Arábia Saudita e Japão. Mesmo assim, com dezenas de países em lockdown, a perspectiva futura também não é boa entre os produtores.

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