Com produção valorizada, preço de terras agrícolas sobe 50% no Paraná

De acordo com o levantamento do Deral, aumento passou de 50% no ano; valorização da soja, com aumento de 90% no período, puxou alta dos preços

Lucas Catanho - Especial para a FOLHA
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA

 

Com produção valorizada, preço de terras agrícolas sobe 50% no Paraná
 

O preço das terras aptas para atividades agropecuárias teve elevação superior a 50% no período de um ano no Paraná. O resultado é influenciado, sobretudo, pela valorização da produção gerada. A análise foi publicada pelo Deral (Departamento de Economia Rural), órgão da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento.

“Outro fator que tem pesado na valorização das terras é justamente investir, pois outros ativos que são seguros tiveram recuo de rentabilidade. Isso fez os investidores buscarem alternativas”, explica Carlos Hugo Winckler Godinho, agrônomo do Deral responsável pela pesquisa de terras agrícolas.

As terras da Classe A-III, que, pelo Sistema de Classificação de Solos da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), são aquelas aptas ao cultivo de grãos, apresentaram valor médio de R$ 58,9 mil o hectare neste ano. Isso representa aumento de 52% ante os R$ 38,9 mil que foram levantados em março de 2020.

No caso das terras B-VI, aquelas ocupadas mais por pastagens e silvicultura (cultivo de florestas para produção de madeiras e outros derivados comerciais), o incremento de valor chegou também a 52%. No prazo de um ano, o hectare passou de R$ 20,1 mil para R$ 30,6 mil.

O reajuste acima dos índices de inflação já era esperado pelo mercado e pelo Deral. Alguns dos principais produtos agrícolas do Estado apresentaram grande valorização, como é o caso da soja, com aumento de 90%; do milho, que subiu 84%; e do boi gordo, que registrou acréscimo de 53%. Em consequência desse cenário, a maior demanda por áreas aptas a essas atividades pressionou o preço.

O presidente do Sindicato Rural Patronal de Londrina, Edson Dornellas, não se lembra de, historicamente, se deparar com uma valorização do preço das terras tão grande como a registrada no último ano. “A valorização da produção de commodities é motivada pelo fato de a demanda ser maior que a oferta”, explica.

Segundo Dornellas, a alta valorização faz com que a comercialização de terras seja reduzida. “Hoje, quem está no ramo produzindo não quer sair, só vai vender a terra por necessidade. O produtor está com o patrimônio valorizado. Por outro lado, o comprador vai esperar baixar o preço porque a terra está supervalorizada”, pontua.

 

Com produção valorizada, preço de terras agrícolas sobe 50% no Paraná
 


Valorização

Regiões do Paraná com sucessivos resultados positivos nas safras e aptas ao plantio de soja e milho em um mesmo ano agrícola – Sudoeste, Oeste e Norte – tiveram maior valorização. 

“Outras regiões, mais ligadas à silvicultura (Sudeste), à bovinocultura (Noroeste) e mesmo à produção de hortifrúti (Região Metropolitana de Curitiba), tiveram menor valorização. Porém, mesmo onde os reajustes foram menores, ficaram acima do IPCA [índice de inflação oficial do País]”, destacou o agrônomo do Deral.

Segundo o técnico, como o incremento de preços de terras não contemplou toda a valorização da soja – e essa é uma moeda corrente nos negócios de terras –, é possível que haja um reajuste reprimido ainda no próximo ano. “É improvável um reajuste futuro no mesmo patamar da valorização atual, mas também é improvável que a valorização fique abaixo da inflação”, projetou. 

A pesquisa

A pesquisa de preços de terras agrícolas é realizada desde 1998 pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, por meio do Departamento de Economia Rural.

“Este levantamento permite analisar o comportamento do mercado, possibilitando que quem deseja entrar na atividade agrícola saiba de antemão qual será o investimento aproximado a ser feito. Também permite que os proprietários possam acompanhar regionalmente este mercado e identificar oportunidades. Para o Estado, é importante objeto para indenizar propriedades de interesse público, ainda que o preço de uma propriedade varie bastante dessas médias”, explica o agrônomo do Deral.

Os preços médios pesquisados poderão servir como um referencial por município, não como valor mínimo ou máximo, tendo em vista que cada propriedade rural tem suas características próprias quanto ao tamanho, localização, vias de acesso, topografia, hidrografia, tipo de solo, capacidade de uso, grau de mecanização, entre outros fatores.

Ao todo, foram levantadas informações de 400 áreas que somam aproximadamente 50 mil hectares. Os dados são coletados em março.

Mais detalhes sobre os preços médios de terras agrícolas podem ser consultados neste link: www.agricultura.pr.gov.br/terras

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