CRÉDITO SUSTENTABILIDADE -

Com poucos projetos sustentáveis, PR terá dificuldades para conseguir o crédito extra

A constatação é do coordenador de Sustentabilidade do IDR-Paraná, Benno Doetzer. Adoção de sistema de ILPF (integração lavoura pecuária floresta) é exemplo de bons projetos

Vitor Ogawa - Grupo Folha
Vitor Ogawa - Grupo Folha

A adoção do sistema ILPF (integração lavoura pecuária floresta) ainda é pouco usado no Paraná
A adoção do sistema ILPF (integração lavoura pecuária floresta) ainda é pouco usado no Paraná | Saulo Ohara/04/09/2014
 


O coordenador de Sustentabilidade do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) e do Estado, Benno Doetzer, ressalta que a possibilidade de aumentar em até 20% nos limites de contratação para operações de crédito rural que reúnam características de sustentabilidade será mais complicada no Paraná. “É difícil de prever, mas acredito que esse percentual atinja em torno de 10 a 12% no Estado, porque nós temos uma dificuldade específica da área de sustentabilidade. O Paraná já expandiu o que podia e não tem pressão da área de produção sobre florestas nativas. Não existem mais fronteiras agrícolas no Estado. Se houver é uma coisa pontual. Mas se tiver linhas acessíveis, viáveis de crédito, para manejo de solo e recuperação de áreas degradadas e outros ativos ambientais é possível que a gente chegue a esse patamar do BC, de 20%”, destacou.


Segundo ele, a sustentabilidade trabalha conceitualmente com o tripé  econômico, social e ecológico. “Mas para o produtor o equilíbrio desses três é baseado na questão econômica. Ele dificilmente deixa de fazer algo que seja mais barato por ser ambientalmente adequado. A gente precisa prever o ganho econômico e aliar isso com o ambiental. Um exemplo disso é a técnica de plantio direto. “Se você perguntar ao produtor por que ele faz o plantio direto, dificilmente ele dirá que é porque é ambientalmente correto, mas provavelmente dirá que a decisão foi tomada pelo fator econômico”, destacou.




O pesquisador da Embrapa Soja, Henrique DeBiasi, destacou que não tem idéia da proporção de produtores no Paraná que fazem plantio direto corretamente. “Sendo bastante otimista, acredito que esse percentual não atinja 20% dos produtores. Mas isso não significa que os outros 80% são degradadores do ambiente. Quem não adota a técnica na sua plenitude está bem melhor em relação ao que era na década de 1980, quando só havia o plantio convencional. Melhorou muito mas pode melhorar ainda mais”, destacou.


Segundo ele, a evolução do plantio direto é a integração lavoura pecuária. “A ILP abrange sistemas produtivos diversificados de origem vegetal e animal, realizados na mesma área em cultivo consorciado em sucessão rotacionada com o objetivo de otimizar os ciclos biológicos das plantas e animais e insumos e seus respectivos resíduos. Ela tem várias modalidades e nada mais é que numa mesma área produzir grãos, carne, leite, lã, enfim produtos de origem animal e também madeira. Essa combinação depende do sistema.” 


DeBiasi ressaltou que o mais comum no Paraná tem sido a adoção de integração lavoura e pecuária.  “A integração lavoura e pecuária é uma evolução do sistema de plantio direto. Ela é uma tecnologia verde que permite o plantio de grãos em áreas de pastagens e tem impactos positivos em relação à erosão, beneficia a preservação do solo pela manutenção da cobertura vegetal e tem impacto grande na mitigação dos gases causadores do efeito estufa, além de ajudar a reformar os pastos”, destacou.


Segundo ele, quando entra o componente arbóreo, a árvore é um grande reservatório de carbono e dá mais conforto térmico aos animais por causa do sombreamento. “Ela reduz até três graus com a entrada de árvore no sistema. A adoção sistema de ILPF (integração lavoura pecuária floresta) é mais complexa, pois tem que se ter cuidados no planejamento e no momento da implantação, porque senão a competição das árvores com a produção de grãos é grande. Ela ainda é pouca adotada no Paraná. Na Região Sul, são 2,5 milhões de hectares (ha) com áreas nesse tipo de integração, sendo 416 mil ha no Paraná, 678 mil ha em Santa Catarina e 1.457 mil ha no Rio Grande do Sul.




No Brasil, entre os produtores que adotam ILPF, aproximadamente 16% da área total da propriedade é destinado aos sistemas integrados. No Rio Grande do Sul, os produtores destinam, em média, 38% da propriedade para ILPF, principalmente na integração da lavoura com pecuária, já que o componente florestal está presente somente em 17% dos casos.


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