A aproximadamente 75 quilômetros de Londrina, a propriedade da família Bramé é uma ilha de café produzido com excelência em meio ao mar de soja que domina a região. Na cidade de Califórnia, não tem tempo ruim para o produtor Orlando Bramé, 64 anos, esposa e filhos, que são a prova viva que a atividade ainda pode ser rentável e trazer uma vida de qualidade para pequenos produtores, mesmo em meio a tantos desafios da cultura.

Não é preciso mais de dez minutos de bate-papo com o ativo senhor – que sempre viveu do café – para entender porque a propriedade de 12,1 hectares se tornou referência para outros produtores da região. Ele recebe a reportagem da FOLHA na beira da BR-376 e dali mesmo já é possível ver os grãos bonitos, verdes, graúdos, no cafezal. Mesmo na safra de baixa bienalidade, a expectativa do produtor é colher 30 sacas por hectare, acima da produtividade média do Estado no ano passado, que fechou em 28 sacas por hectare, isso no ciclo de alta bienalidade. Em 2017, a média do cafeicultor ultrapassou a casa das 40 sacas por hectare.



Além da paixão do produtor pelo que faz, o segredo da propriedade está na constante atualização das tecnologias na área, desde a escolha das variedades, passando pelo manejo até a mecanização da colheita. O que chama a atenção primeiramente é o consórcio café com braquiária, adubo verde que ajuda na matéria orgânica, fixação do nitrogênio e até no combate aos nematoides. "A tecnologia mudou muito, hoje temos essa associação com a grama e um café muito bem nutrido. No dia a dia, temos que ficar em cima dele, desbrotando, carpindo, passando a roçadeira. Quando o café 'pede' o adubo ou o veneno para controlar as pragas, tem que fazer."

Na atual safra, o cafeicultor já aplicou quatro caldas com fungicida e inseticida, sempre atento às doenças como ferrugem, praga mineira e os nematoides. O custo de produção deve fechar em torno de R$ 250 a R$ 280 por saca, já somada a mão de obra da família. "Ano passado comercializei a saca (beneficiada) a R$ 450. Mas me lembro que em 2008 cheguei a vender por R$ 490. Naquela época o adubo estava em R$ 600 a tonelada e hoje está em R$ 1,3 mil", compara.

E se um dos caminhos que mais assustam os cafeicultores do Paraná é a mecanização das lavouras, que exige diversas mudanças de manejo - a exemplo do espaçamento das plantas -, o produtor não titubeou em investir: trator e duas máquinas ficaram em quase R$ 200 mil. "Valeu a pena, sem isso não tem jeito de trabalhar". Agora, o próximo passo será aumentar a estrutura para o beneficiamento do grão. "Nosso manejo está bem correto, acertado. Mas se a produção vai aumentar, preciso de estrutura para acompanhar, local para secar e para armazenar."

Sucessão garantida
O senhor Orlando não trabalha sozinho na propriedade, aliás, a família é um alicerce pensando no futuro da atividade. A esposa auxilia no trabalho, principalmente do terreiro, além dos três filhos (um deles mora na cidade e participa na colheita) e a nora.

Matheus Bramé tem 19 anos e passou a auxiliar o pai e os irmãos após ter feito curso de técnico agropecuário. Recebeu propostas para trabalhar em outras propriedades de café, inclusive em Minas Gerais, mas preferiu retornar para o negócio da família. "Pretendo morar aqui no sítio. Tenho uma boa qualidade de vida e ganho mais do que nos convites que recebi. Acredito que seja mais fácil conquistar minhas coisas aqui do que em outro lugar. A produção só tende a aumentar e com a tecnologia tudo está mais fácil."

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