O Brasil acaba de passar na prova contra o mal da vaca louca, ganhando atestado de qualidade dos Estados Unidos, Canadá e México, cujos técnicos vieram aqui e comprovaram que o rebanho bovino brasileiro é, sim, alimentado basicamente de capim e não consome ração com subprodutos de origem animal, estando portanto livre da doença que já dizimou milhares de animais na Europa e causou a morte de quase cem pessoas.
O que nem todos sabem, porém, é que esse atestado de qualidade da pecuária brasileira para o mundo deve ser atribuído ao zebu, gado que hoje representa cerca de 80% de todo o rebanho nacional, estimado em 165 milhões de cabeças. É o zebu que se alimenta de capim e sal mineral e está totalmente imune à doença da vaca louca.
Menos gente ainda deve saber que essa impressionante base genética de mais de 120 milhões de animais com sangue zebuíno espalhados pelos mais distantes pontos desse país-continente origina-se de apenas 6.262 cabeças de zebu, importados pelo Brasil até o início da década de 60. De lá para cá, ou seja, em apenas 40 anos, o zebu espalhou-se pelo País, vencendo o clima quente dos cerrados, a umidade do Norte, a caatinga no Nordeste, os campos do Sul, os planaltos do Sudeste.
A título de comparação, estatísticas extra-oficiais dão conta da importação de mais de 1 milhão de bovinos de raças européias, que entram no Brasil há mais de um século. Mesmo assim, a população com sangue europeu resume-se a 10 ou no máximo 15% do rebanho nacional, sendo o restante do gado sem raça definida, o tucura. Por que tão pouca participação dos animais europeus? A resposta passa pela sua resistência a campo, que não se compara à do zebu.
É por isso que, se não fosse o zebu estaríamos neste momento com outro sentimento em relação à visita dos veterinários da América do Norte. Ao contrário do orgulho de estarmos livres da vaca louca, que sentimos agora, estaria em evidência a dupla preocupação de nos proteger contra o aparecimento da doença e de perder o espaço já conquistado no mercado mundial da carne bovina.
Sobre o comércio de carne, aliás, é preciso mais uma vez destacar a contribuição das raças zebuínas. Não fossem elas, também não estaríamos comemorando a venda de US$ 830 milhões com a exportação de mais de 600 mil toneladas em 2000. Sem o sangue do zebu, nossa carne não teria qualquer atrativo em comparação à carne produzida nos Estados Unidos, na Austrália ou na União Européia. Em outras palavras, dificilmente estaríamos vibrando com o crescimento dos negócios.
Mas, felizmente, a realidade é outra. O zebu é nosso, proporciona uma carne de excelente qualidade, saborosa e com o ingrediente que mais agrada aos compradores mundiais: é criado a pasto, comendo capim. A expressão boi de capim e carne natural, ecológica, só pode ser atribuída à pecuária brasileira porque temos o zebu. Isso não é marketing, é realidade.
O autor é Presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ)

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