Com muita chuva, mais doenças
Com muita chuva, mais doenças
El Ni¤o pode prejudicar desenvolvimento do trigo nas principais áreas a serem plantadas na região Oeste
Paulo Pegoraro
De Cascavel
PlantioOs produtores já semearam 25% da área que será cultivada com trigo na região Oeste
Antes da redefinição do calendário para semeadura do trigo, que ocorreu com o zoneamento agrícola, a geada era a grande preocupação dos produtores onde esse fenômeno meteorológico é comum. Se o risco da geada diminuiu, outros problemas chamam a atenção do produtor, e eles vão do comportamento do mercado às doenças que podem atingir as lavouras. Nesta safra há uma preocupação extra, o El Ni¤o, que pode passear pelas zonas de produção e espalhar muita chuva em épocas inadequadas.
A possibilidade de chuvas além do normal neste período preocupa os produtores, embora já haja o Proagro para chuva. O período inicial da safra pode ser mesmo complicado, segundo especialistas em fitossanidade, porque excesso de umidade no solo e ambiente favorece doenças radiculares e foliares, embora a umidade não seja o único fator a contribuir para estes problemas. Os cuidados com a boa semente e com a rotação de culturas também são fundamentais.
Edson MazzeiA opção por sementes tratadas é fundamental para uma boa germinação e rentabilidade da culturaPrevençãoOs técnicos alertam que o ponto de partida, para prevenção de problemas que podem surgir logo no início da germinação das plantas, é a utilização de sementes tratadas com fungicidas, e que elas sejam resistentes. É o método mais eficiente, e ao final das contas, mais barato, observa o agrônomo Jorge Alberto Gheller, da área de lavouras do escritório regional da Emater em Cascavel.
Gheller salienta que as sementes tratadas germinam e emergem protegidas contra fungos de solo, e cita a podridão conhecida como mal-do-pé. Ele destaca também as doenças foliares, como helmintosporiose, oídio e ferrugem (que aparece um pouco mais tarde). O mal-do-pé, por exemplo, é característico de áreas onde há pouca rotação de culturas, prática fundamental para o sucesso das safras, diz o especialista.
Francisco Franco, pesquisador da Cooperativa Central de Desenvolvimento Tecnológico e Econômico (Coodetec), com sede em Cascavel, acrescenta que a preocupação com as doenças que afetam a cultura não é superada pelo simples fato do produtor pular para a safrinha de milho, para fazer a rotação. Franco observa que o cuidado deve ser o mesmo, independente da cultura, e afirma que é cada vez maior o número de agricultores conscientes disto.
Redução de áreaSegundo Franco, a redução da área do trigo faz com que a cultura se concentre em produtores que dominem tecnologias e que partem cada vez mais para o plantio direto,que tem como uma das premissas a rotação. As cultivares também estão sendo melhor selecionadas, visando a qualidade dos grãos para a indústria, que exige o trigo superior - oferecido por materiais tolerantes à própria germinação na espiga, que ocorre sob muita umidade.
A Coodetec, que tem centros de pesquisa em Cascavel e Palotina, e atua em parceria com cooperativas de produtores, já lançou cultivares como Ocepar 16, 21 e 22, e as mais recentes são CD 101 e 102. Para Francisco Franco, elas garantem também produtividade elevada, mas isso depende de condições básicas, como o preparo do solo e o clima. Atendidos todos os requisitos, é possível obter 200 sacas por alqueire, assegura.
O pesquisador observa que com 70 a 80 sacas já é coberto o custo de produção, e aí, quem consegue umas 100 sacas já tem lucro. Mesmo assim, frisa que os produtores não devem se preocupar apenas com o lucro do momento, mas também com a safra seguinte, considerando que o sucesso dela pode estar sendo preparado agora, cuidando do solo - fazendo, por exemplo, a adubação nitrogenada, o que reduzirá os investimentos futuros.
A constante diminuição da área de plantio, em decorrência de problemas climáticos ou de mercado, vai promovendo cada vez mais a seleção dos produtores, mantendo-se na cultura os profissionais, que empregam todas as recomendações da assistência técnica. Esta exigência vale ainda mais para a safra que está sendo iniciada, e sobre a qual podem incidir as chuvas causadas por El Ni¤o, que podem continuar constantes no Sul do Brasil (e com seca no Nordeste).
Em trinta municípios do Oeste paranaense, pertencentes ao Núcleo de Cascavel da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), os produtores já semearam cerca de 25% da área que destinarão ao trigo. Segundo Edson Maggi, do Departamento de Economia Rural do Núcleo, a previsão é plantar 113 mil hectares (757,3 mil em todo o Estado), para uma produção de 194 mil toneladas. Tanto na região quanto no Estado todo, as estimativas de plantio são menores do que ocorreu no ano passado.
Na safra anterior foram 125,9 mil hectares de área, e a produção 214,4 mil toneladas, enquanto em todo o estado foram 898,3 mil hectares e 1,62 milhão de toneladas. Em todo o Brasil devem ser ocupados este ano no máximo 1,2 milhão de hectares com cultura, um terço da área destinada há uma década. Em todo o Mundo, a produção no período 98/99 deve ser inferior a 600 milhões de toneladas - em 97/98, foram mais de 610 milhões de toneladas.





