Com margem pequena, administração é fundamental


Produtor de leite há mais de cinco décadas, Louis Baudraz deixou a Suíça aos 20 anos para encarar os desafios da cadeira leiteira numa propriedade próxima a Rolândia. Hoje, já consolidado, ele possui um plantel de 270 vacas holandesas, com produção de 9,5 mil litros diários comercializados diretamente com a Confepar.
Um dos idealizadores do Conseleite no Estado, Baudraz dá um panorama bem interessante do mercado atual. Para ele, a produção de leite veio numa crescente até 2014, com fôlego para acompanhar o consumo. Ano passado, porém, ele acredita que teve início uma queda de produção justificada por diversos fatores. "Sem dúvida, tivemos uma retração no número de produtores, que estão mais saindo da atividade do que entrando. O pequeno produtor tradicional não consegue escala para alcançar a qualidade que o mercado exige. Assim, ele não tem um crescimento da renda familiar para permanecer firme na atividade", complementa.
Com a margem de rentabilidade pequena e sem escala, o produtor tradicional não acompanha a evolução tecnológica da cadeia e a necessidade de profissionalização. "Muitos estão procurando outra opção de renda, como laranja, soja, entre outras culturas".
Como um bom europeu cartesiano, um dos diferenciais de produtor, sem dúvida, é a "paixão pelo Excel". Nas planilhas do programa, todos os números necessários para elevar a produção para um novo patamar de qualidade e rentabilidade. São valores de custos, produtividade dos animais, valor do litro comercializado, salários, energia, tudo devidamente registrado desde 1995. "Para seguir na atividade, a profissionalização é fundamental. A terra é a mesma para todos, a tecnologia disponível também, tudo vai depender de uma administração bem feita, na ponta do lápis".
Em todo este contexto, Baudraz relata que iniciou este ano trabalhando no prejuízo. Agora, vendendo sua produção a R$ 1,40 o litro, ele comenta que está conseguindo um melhor retorno financeiro. "Além do preço de comercialização em si, existem outras dificuldades para quem ainda está na atividade. Meu consumo de energia elétrica, por exemplo, dobrou do ano passado para cá, e hoje estou pagando R$ 15 mil. Além disso, a queda de energia é frequente nesta região. Temos ainda estradas não condizentes com nossa necessidade, custos de produção elevados, além da aquisição de maquinários sempre com elevadas cargas tributárias", conclui. (V.L.)





