Na região de Maringá - que já se tornou referência na utilização de lodo de esgoto na agricultura - a produção é de 1,5 mil toneladas por ano, somados a mais três mil toneladas no Noroeste, 100% destinado aos produtores.

Segundo informações da assessoria da Sanepar, antes de seguir para as propriedades, o lodo passa por um processo de higienização com cal virgem a 30% do peso seco do lodo, e análises laboratoriais que comprovam as características físico-químicas e biológicas. O solo que vai receber o produto também é analisado para determinar a quantidade necessária de adubação.

O gerente da unidade regional de Maringá da Sanepar, Valteir Galdino da Nobrega, relata que quando assumiu o posto, em 2011, tinha grandes lotes de lodo acumulados nas UGLs (Unidades Geradoras de Lodo): em torno de 11 mil toneladas. "Na época, quando fizemos o cálculo,o gasto era de R$ 90 por tonelada para enviar ao aterro sanitário. Como já havia pesquisas em relação ao encaminhamento do lodo para a agricultura, fizemos contato com o pessoal da Emater e destinamos mais de 11,5 mil toneladas para os produtores da região", relembra.

Vale dizer que a companhia começou as pesquisas para uso do lodo de esgoto na década de 1990 e, desde 2007, mais de 280 mil toneladas do produto já foram aplicadas em terras paranaenses. Nobrega explica que mesmo com todo o tratamento antes de enviar aos produtores - e ainda bancar o logística de transporte - os custos para lidar com até então passivo ambiental (e agora subproduto das UGLs) diminuíram em mais de 60%. "Destinar ao agricultor é mais barato do que para o aterro e isso acelerou nossa parceria com a Emater. Além disso, de forma indireta, conseguimos melhorar a imagem da empresa como socialmente (em ambientalmente) responsável", relata o gerente.

Outro ponto interessante é que o tratamento de esgoto em Maringá passou de 74,5% da população atendida para 86,5% nos últimos anos, o que gerou mais lodo aos produtores. "Além do tratamento biológico, nós adicionamos cal virgem, que inertiza o lodo, mata qualquer bactéria restante, e que vem rico, em torno de 20% a 40% de cal. O produtor não precisa adquirir esse cal para fazer a correção de PH do solo."

O engenheiro agrônomo do Instituto Emater, Ricardo Augusto da Silva, relata que no último evento, mês passado, realizado numa das propriedades modelos de Santa Fé, ficou acertado com representantes políticos da Assembleia Legislativa para que a tecnologia seja levada a outras regiões do Estado em que a produção de logo é grande, mas ainda é destinada aos aterros sanitários, um desperdício do subproduto. "Em Londrina, por exemplo, acreditamos que muito pouco é utilizado na agricultura", complementa.

Por fim, Nobrega deixa um questionamento interessante sobre um outro resíduo urbano. Ele cita as folhas de árvores da cidade, que muitas vezes vão para o aterro sanitário ou são jogadas na boca de lobo, tirando o oxigênio de rios e córregos. "Cidades como Maringá, bem arborizadas, e com uma produção muito alta, poderia utilizar também essas folhas como fertilizantes para os produtores rurais."

EM LUNARDELLI

Na segunda-feira (11), a Regional da Sanepar em Apucarana entregou o primeiro lote de lodo de esgoto higienizado para uso agrícola, em uma propriedade no município de Lunardelli. O volume de 10 toneladas do produto será aplicado em uma área de três hectares de laranja-pera no Sítio Madrugada. O produto foi carregado na Estação de Tratamento de Esgoto Pindauvinha, em Ivaiporã (a 24 km da propriedade rural). (V.L.)

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