Com cor e sabor de tomate
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sexta-feira, 01 de março de 2019
Célia Guerra<br>Reportagem Local 

Um tomate firme, bem vermelho e muito saboroso, com o verdadeiro sabor da fruta - a equipe de reportagem provou e aprovou. Esta é a novidade que os produtores Pedro Hirayama e Mario Cesar Celestino, de Mauá da Serra, estão colocando no mercado com mais um diferencial: a fruta não contém resíduos de agrotóxico. "Estamos implantando o sistema Tomatec (Tomate em Cultivo Sustentável)", informa o agrônomo da Emater de Londrina, Nilson Ladeia Carvalho, implementador do programa de olericultura no Estado.
O sistema, como explica, foi desenvolvido pela Embrapa Solos, do Rio de Janeiro (RJ), visando à conservação de solo e de água, mas segue um protocolo de cultivo que prevê o monitoramento de pragas e doenças. A produção nas estufas de Mauá da Serra é acompanhada de perto pela Emater e para o controle são priorizados compostos naturais ou biológicos. "Um dos instrumentos são as armadinhas luminosas e de feromônio (hormônio sexual dos animais). O controle químico só é feito quando realmente for necessário, e com produtos registrados para a cultura, respeitando-se rigorosamente a carência de cada um deles", explica Ladeia.
Mas a grande novidade do cultivo é que as pencas de tomate ficam "guardadas" em sacos de papel, que protegem os frutos do ataque de pragas e dos resíduos dos defensivos. "As pencas são ensacadas assim que aparecem as primeiras flores e passam todo o período de desenvolvimento até à colheita protegidas. As embalagens são abertas para alguma verificação, mas são imediatamente fechadas após o processo."
Na prática, o sistema, explica Ladeia, segue recomendações da Embrapa, e é firmado um contrato de transferência de tecnologia entre a instituição de pesquisa e o produtor. "É adotado um conjunto de boas práticas, o uso de estufas novas, alinhamento de ruas, aeração, nivelamento. A área de produção não pode ter problemas de solo, como a erosão." O modelo prevê ainda o uso de plantio direto (palhada), ou de mulching (um tipo de plástico que cobre o linha de plantio), fertirrigação por gotejamento e tutoramento vertical do tomateiro por fitilho.

A inclusão oficial do produtor no sistema ocorre após a primeira colheita, quando lotes dos frutos são encaminhados para análise à Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), no Rio de Janeiro, comprovando a ausência de resíduos de agrotóxicos. "A autorização para a comercialização é publicada no Diário Oficial da União. Após esse trâmite o produtor recebe o selo Tomatec."
Esse selo de identificação é fornecido pela Embrapa e deve ser colado nas bandejas de tomates que seguem para os mercados, identificando o produto e garantindo sua segurança ao consumidor. "O selo é feito pela Casa da Moeda, com cortes que impedem que seja retirado por inteiro, evitando o reaproveitamento. Nele tem um número que identifica o produtor."
Ladeia destaca que o sistema não se classifica como produção orgânica, pois é utilizada adubação química e permitido o uso de alguns tipos de defensivos. "É classificado como produto livre de agrotóxico", frisa, lembrando do processo de ensacamento dos frutos. As variedades escolhidas são híbridas, pertencentes ao grupo pai-pai, ou tomates saladetes, tolerantes a doenças, como as transmitidas pelo tripes e pela mosca-branca.
O sistema Tomatec chegou ao Paraná em 2016, na região de Cornélio Procópio, mas, além de Mauá da Serra, há uma área em produção em Faxinal. Neste mês de março inicia-se o plantio em mais duas propriedades, uma em Cambé e outra em Mandaguari. Em abril, o sistema chega a Colorado. "Estamos montando uma estrutura para garantir a constância da produção, para que o produto não falte no revendedor e nos permita também a expansão desse mercado."
IMPORTÂNCIA ECONÔMICA NO PARANÁ
No Paraná a produção de tomates de forma geral ocupa o quarto lugar na ranking da olericultura, respondendo pela fatia de 8% no volume. A fruta entretanto, segundo o agrônomo Carlos Alberto Salvador, do Deral (Departamento de Economia Rural), da Seab (Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná), lidera juntamente com a batata, a disputa no quesito remuneração ao produtor. "É um produto de extrema importância na economia do Estado, apesar de ter uma produção difícil, especialmente em períodos de chuva, muito visado por pragas e doenças.
A produção e dividida em duas safras e, como informa Salvador, na safra 2017/18 a área de cultivo foi de 4.200 hectares com uma produção de 247 mil toneladas.



