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Londrina

Folha Rural

m de leitura Atualizado em 07/06/2022, 09:31

Com clima favorável, Paraná projeta safra recorde de milho

Expectativa é de que estado produza 16 milhões de toneladas do grão até o final da colheita, entre agosto e setembro

PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de junho de 2022

Lucas Catanho - Especial para a FOLHA
AUTOR autor do artigo

Foto: Gustavo Carneiro
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O Paraná projeta uma safra recorde de milho. Segundo o relatório do Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, a expectativa é que sejam produzidos 16 milhões de toneladas do grão até o final da colheita da segunda safra, entre agosto e setembro.

Paulo Vinicius Demeneck Vieira espera que a produtividade nesta safra alcance cerca de 120 sacas por hectare Paulo Vinicius Demeneck Vieira espera que a produtividade nesta safra alcance cerca de 120 sacas por hectare
Paulo Vinicius Demeneck Vieira espera que a produtividade nesta safra alcance cerca de 120 sacas por hectare |  Foto: Arquivo pessoal
 

Com início em janeiro, a segunda safra de milho registrou um incremento de área em comparação à safra anterior, alcançando 2,7 milhões de hectares no Estado, um aumento de 8,5% no comparativo com a safra do ano passado, aproximadamente 214 mil hectares.

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“Diante de uma área plantada maior e condições de clima favoráveis para a cultura em praticamente todo o ciclo, a expectativa é que podemos ter uma produção recorde. No entanto, ainda é temerário cravar esta produção, pois a maior parte da safra ainda é suscetível a um risco de geada principalmente”, pondera o administrador Edmar Gervásio, analista do Deral.

Em geral, as condições de lavoura apresentam-se boas para 84% da área, 14% têm condição mediana e apenas 2% estão ruins. “Em relação às fases das lavouras, temos 14% na final, 59% em frutificação e 27% divididos nas demais fases – desenvolvimento vegetativo e germinação.”

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O técnico acrescenta que, em geral, as condições das lavouras de milho são boas para a maior parte da área plantada no Estado, havendo somente situações pontuais de pragas e doenças. Na safra anterior, a produção foi de 5,7 milhões de toneladas. Se o volume desta safra for confirmado, a produção poderá ser quase 3 vezes maior.

“A perda no campo na safra anterior foi em decorrência da estiagem no Estado e, em menor grau, das geadas”, explica o técnico.

EXPECTATIVA

O agricultor e engenheiro agrônomo Paulo Vinicius Demeneck Vieira está otimista para a safra de milho deste ano. No ano passado, ele conseguiu produzir 90 sacas por hectare, após enfrentar seca e vários eventos fortes de geada.

“A expectativa neste ano é que a produtividade da lavoura gire em torno de 120 sacas por hectare. Houve uma massa de ar frio recentemente, mas não ocorreram geadas de forma generalizada e o ano tem sido muito bom de chuva. Ainda há a preocupação com o aparecimento de danos causados pela cigarrinha do milho, que é uma praga nova que os agricultores estão aprendendo a manejar e só conseguiremos ver se houve danos próximo da colheita”, destaca.

O agricultor acrescenta que o mercado anda aquecido devido à guerra da Ucrânia. “Ucrânia e Rússia são uns dos maiores exportadores de trigo e milho do mundo. E com esses dois players fora do mercado, a demanda extra acaba recaindo sobre os Estados Unidos e o Brasil”, explica.

Com relação aos preços para esta safra, Paulo Vinicius projeta que devem ser menores que na safra passada.

“Quando houve as geadas em julho de 2021, os preços dispararam a níveis recordes, com muitas praças batendo R$ 100 por saca. Esses preços não devem se repetir em 2022 por ser um ano de safra cheia. Porém também não devem baixar da casa dos R$ 80 a saca, devido à escassez de oferta do cereal em nível mundial”, analisa.

Em sua propriedade localizada em Juranda, na região centro-oeste do Paraná, Paulo Vinicius planta 450 hectares de milho. Ele está na atividade há seis anos, herdada pela família, que cultiva o grão há mais de 20 anos. Hoje, a maioria da produção é comercializada para a cooperativa Coamo.

“A cooperativa está começando os planos para se fazer etanol do milho, assim como nos Estados Unidos, que 1/3 da produção tem esse fim. E há planos também para uma fábrica própria de rações”, afirmou.

A segunda safra de milho registrou um incremento de área em comparação à safra anterior, alcançando 2,7 milhões de hectares no Estado, um aumento de 8,5% no comparativo com o ano passado A segunda safra de milho registrou um incremento de área em comparação à safra anterior, alcançando 2,7 milhões de hectares no Estado, um aumento de 8,5% no comparativo com o ano passado
A segunda safra de milho registrou um incremento de área em comparação à safra anterior, alcançando 2,7 milhões de hectares no Estado, um aumento de 8,5% no comparativo com o ano passado |  Foto: Gustavo Carneiro
 

RISCO

O agricultor considera o cultivo do milho uma atividade muito arriscada. No ano passado, ele relembra que comprou insumos a um custo relativamente baixo e o cereal estava com um bom preço de comercialização, mas a seca e a geada acabaram dizimando a lavoura de muitos agricultores, que acabaram saindo no prejuízo.

“Neste ano estamos com um custo médio de produção um pouco superior à média histórica. Mas se a produção ajudar, será um bom ano, que poderá recuperar um pouco das perdas do ano passado. Já estamos negociando insumos para o ano que vem e estão absurdamente caros, com alguns registrando aumento superior a 100%. Se ano que vem não ocorrer tudo perfeitamente e os preços não se mantiverem, será um ano bem complicado”, projeta.

ESTATÍSTICAS

O VBP (Valor Bruto da Produção), riqueza produzida pelo milho no Paraná, registrou um crescimento de 36% em 2020 (dados mais recentes) em comparação ao ano anterior, saltando de R$ 8,7 bilhões para R$ 11,9 bilhões.

Em 2020, o município com maior área plantada de milho foi Assis Chateaubriand, com 66,1 mil hectares e VBP de R$ 231,1 milhões. O município com maior produção de riqueza advinda da atividade, nesse mesmo ano, foi Ubiratã, com 52,6 mil hectares plantados e VBP de R$ 252,9 milhões.

O Paraná é o segundo maior produtor do cereal do Brasil, ficando atrás de Mato Grosso. “A atividade já é consolidada no Estado, sendo que os gargalos ficam com armazenamento e logística”, concluiu Edmar Gervásio, analista do Deral.

Cigarrinha vem sendo monitorada 

A Adapar (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná), em parceria com o Ministério da Agricultura, monitora uma das pragas que provocam grandes perdas na cultura do milho: o enfezamento.

O objetivo é compreender melhor o avanço da doença no Paraná e fornecer mais informações para que a pesquisa possa orientar os produtores rurais quanto ao manejo correto do problema fitossanitário, reduzindo assim o uso de inseticidas para o controle do inseto vetor, a cigarrinha.

O trabalho conta com uma primeira etapa que consiste no levantamento da ocorrência do vetor do enfezamento, e uma segunda, que é a coleta das folhas do milho. Os materiais serão analisados em laboratório visando identificar a presença ou não dos complexos dos enfezamentos, além de viroses associadas à cultura.

A segunda safra do milho em andamento, que é a maior em área plantada e produção, tem contado com condições climáticas mais favoráveis ao desenvolvimento da cultura. Entretanto, o ataque das pragas, em especial a cigarrinha, pode se tornar um fator limitante para a quantidade e a qualidade da produção dessa cultura.

A Adapar, por meio do Siagro (Sistema de Monitoramento do Comércio e Uso de Agrotóxicos do Estado do Paraná), acompanha o uso de agrotóxicos ao longo do desenvolvimento da cultura nos últimos anos e os números são alarmantes quando se trata de inseticidas utilizados para o manejo da cigarrinha do milho. O crescimento é vertiginoso, tanto no que se refere ao volume total consumido no Estado, bem como as dosagens.

Comparando-se as safras 19/20, 20/21 e 21/22, as doses nos cultivos de primeira safra saltaram de 0,019 litro por hectare (l/ha), para 0,136 e 0,907, respectivamente.

Já na segunda safra, subiram de 0,144 para 0,351 l/ha, mas ainda existe expectativa e preocupação quanto ao aumento dos números. É nesta safra que normalmente se tem uso mais intensivo dos inseticidas, visto que há maior pressão da praga, decorrente sobretudo da migração dos insetos das lavouras cultivadas na primeira safra, além da interferência das condições climáticas. (Com informações da Adapar) 

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