A grave estiagem enfrentada pelas principais regiões produtoras dos Estados Unidos trouxe consequências positivas para o agronegócio brasileiro. Com estoques globais de milho e soja reduzidos, a cotação das commodities alcançou preços recordes na safra 2011/12. Apesar de encarecer os insumos e custos de produção da cadeia de carnes, a comercialização dos grãos a preços elevados deixou produtores, cooperativas e empresas agrícolas capitalizadas. O resultado desse aporte foi sentido também pelo setor de máquinas e equipamentos agrícolas, cujo faturamento em agosto foi 4,3% superior ao do mesmo mês de 2011.
Balanço da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) indica um crescimento de 13% no faturamento nos oito primeiros meses deste ano em comparação ao mesmo período do ano passado. Entre janeiro e agosto de 2012, o setor atingiu a marca de R$ 7,23 bilhões de faturamento, em comparação aos R$ 6,4 bilhões de 2011.
De acordo com o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA), da Abimaq, Celso Casale, o crescimento do setor agropecuário se reflete na venda de máquinas e implementos. Em 2011, o setor apresentou 30% de aumento nas vendas, sem contabilizar os tratores e colheitadeiras. Casale espera fechar 2012 com incremento de 13% a 15% nas vendas. ''O produtor está capitalizado graças aos preços dos grãos e, com isso, investe em maquinário porque quer ganhar em produtividade'', analisa. Para o próximo ano, a projeção é de aumento de 10% nas negociações. Casale explica que 2010 e 2011 foram anos de recuperação diante da grande queda enfrentada pelo setor em 2009.
Entre julho e setembro deste ano, os empréstimos para aquisição de máquinas agrícolas, equipamentos de irrigação e estruturas de armazenagem totalizaram R$ 1,8 bilhão por meio do Programa de Sustentação do Investimento (PSI-BK), uma alta de 17,9% em relação ao mesmo período de 2011. Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, ao todo, as contratações do crédito pela agricultura empresarial foram de R$ 26,5 bilhões no período, o que representa 23% dos R$ 115,2 bilhões programados para a safra 2012/13.
O coordenador do Departamento Técnico e Econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Pedro Loyola, afirma que o produtor paranaense teve um ano de boa margem de lucro graças à valorização das commodities. No entanto, ele lembra que muitos agricultores estão ainda concluindo o processo de renegociação das dívidas adquiridas entre 2004 e 2007 em função de problemas climáticos e de câmbio. Nesses casos, a boa rentabilidade da safra 2011/12 contribuiu para que alguns pudessem adiantar pagamentos. ''Poucos produtores aproveitaram o pico dos preços da soja porque já haviam vendido a colheita a um preço favorável. Hoje a venda antecipada da safra 2012/13 está em ritmo menor do que o comum para o período porque o produtor está seguindo a orientação de escalonar a venda'', afirma.
Nesse cenário, Loyola ressalta que o setor de máquinas e implementos agrícolas está superaquecido, mas alerta o produtor para não comprar por entusiasmo, e sim seguindo um planejamento das prioridades da propriedade. Ele orienta o produtor capitalizado a, primeiramente, quitar dívidas, na sequência, deixar um fundo de reserva para os momentos ruins e, só então, pensar em investimentos. ''Uma boa alternativa é investir em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta por meio do Programa ABC. Há várias opções de financiamento para diversificar a fonte de renda e pulverizar os riscos na propriedade'', indica Loyola. O economista ressalta que, antes de mais nada, o agricultor deve aproveitar o momento favorável para contratar um seguro rural, pois ''a perda em uma safra compromete as cinco safras seguintes''.

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