Com as mãos nas rédeas do desenvolvimento
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sexta-feira, 01 de julho de 2016
Magaléa Mazziotti<br>Reportagem Local 

Qualquer caminho serve para quem não sabe onde ir. A sabedoria popular se aplica como um divisor de águas na história de cada produtor rural, que detalha com precisão o antes e depois do desempenho de suas atividades agrícolas com o advento do cooperativismo, que no Paraná, desde a década de 1970, vem construindo uma estrutura bastante sólida. Tanto que mesmo com todos os fatores desfavoráveis ao setor como os prejuízos causado pelo clima na safra 2015/2016 (chuva excessiva apodrecendo a soja antes da colheita e geada queimando o milho safrinha) e a retração econômica interferindo em linhas de crédito e apoio ao produtor, cooperativas e cooperados exibem em suas metas de crescimento, anual e quinquenal, que os negócios seguem em uma crescente amparada em um trabalho bastante minucioso de planejamento estratégico.
"Esse aprofundamento da atenção dedicada ao planejamento estratégico veio naturalmente, como mais um degrau dentro de toda essa história estruturada do cooperativismo paranaense. Tanto que o PRC-100 (Plano Paraná Cooperativo 100) é uma clara demonstração do estágio de amadurecimento que nos encontramos. Construímos o plano com uma metodologia de uma consultoria especializada e contratada especificamente para isso, e o processo foi em conjunto com 750 dirigentes das 223 cooperativas que integram o Sistema Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná). Todo esse esforço gerou o nosso plano quinquenal, que tem por objetivo dobrar a movimentação financeira das cooperativas paranaenses, atingindo o patamar R$ 100 bilhões até 2020", destaca o superintendente da Ocepar, Robson Mafioletti.
E o primeiro ano de ações deste plano já superou as expectativas, pois as cooperativas que integram o Sistema Ocepar encerraram 2015 com um giro de R$ 60,3 bilhões, frente aos R$ 50 bilhões registrados em 2014. "Se continuarmnos nesse ritmo, nossa meta quinquenal será alcançada antes, mesmo com todo o cenário político-econômico do nosso país na contramão de todos os setores produtivos", comemora. Ele continua dizendo que esse é o valor de planejar e ter ações bem estruturadas capazes de minimizar os fatores negativos que independem do esforço do produtor. "Claro que também devemos reconhecer os bons preços pagos pelo mercado internacional de grãos que contribuíram para os números de 2015. Mas até mesmo para os momentos de bonança, quem tem um plano sabe tirar o melhor proveito das oportunidades que sempre surgirão, tanto em céu de brigadeiro, quanto em tempestades", ensina Mafioletti.
PILARES DE ATUAÇÃO
O PRC-100 elegeu cinco grandes pilares de atuação. Um deles é o mercado e sua expansão por meio do aprimoramento dos produtores nos cursos de capacitação e a diversificação dos produtos e serviços. Outro é o financeiro, no qual o foco é no incremento dos ganhos com todo o aparato desde a comercialização da safra até os mecanismos de trava nos custos. Um terceiro pilar envolve a melhora da infraestrutura no Estado e no País, fazendo valer a representatividade da entidade e de seus cooperados na busca por ações dos governos estadual e federal que contribuam com as atividades do agronegócio como melhora de rodovias e outros modais, redução do pedágio, linhas de fomento e articulações contra barreiras comerciais internacionais ou restrições sanitárias ainda pendentes.
Outro campo de ação definido pelo PRC-100 é o de trabalhar a governança corporativa e os processos estratégicos de gestão e sucessão do Sistema Ocepar. E, como não poderia deixar de ser, o quinto pilar desse trabalho é aprofundar ainda mais a mentalidade cooperativista e otimizar os negócios potenciais e existentes entre os cooperados. Um exemplo prático disso, são as negociações em andamento em torno das cooperativas de saúde que integram a Ocepar. "Um dos ganhos que o PRC-100 trouxe paralelamente a essas ações macro foi estimular várias cooperativas a colocar no papel o planejamento que já norteava suas atividades, mas sem a documentação e isso faz toda a diferença, até para atingir mais rapidamente o que se deseja", defende Mafioletti.


