Com as mão na horta
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sexta-feira, 27 de abril de 2007
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Ter a produção de hortaliças como atividade comercial ou mesmo pelo lazer e o privilégio de colher verduras fresquinhas no fundo do quintal ou na sacada do apartamento está muito mais fácil do que se imagina. Uma modalidade de produção que tem se destacado no setor é a terceirização da produção de mudas. Na região de Londrina boa parte dos horticultores já se utiliza desse serviço. A maioria é atendida por duas empresas - uma daqui e outra de Ibiporã.
Apesar da facilidade em se adquirir as mudas, é preciso comprá-las em locais seguros, para que não haja contaminação das lavouras. A orientação é do engenheiro agrônomo Paulo Hidalgo, da Emater de Cornélio Procópio, que presta assistência em olericultura na região. ''Os viveiros têm que ser profissionais. Artesanais, mas profissionais. Com isso, diminui em 99% as chances de doenças nas plantas''.
Até cinco anos atrás, os produtores preparavam as mudas na propriedade, ''com maiores riscos de doenças'', afirma o agrônomo. Há quem ainda prefira cuidar de todas as etapas da produção. Mas, ''o controle tem que ser muito rigoroso porque uma pequeno pedaço de terra contaminado pode contaminar lavouras inteiras'', alerta Hidalgo.
As mudas, segundo o agrônomo, têm que ser preparadas longe de lavouras velhas, em estufas com telado anti-vetores para evitar o ataque de pragas, como os pulgões, trips e a mosca branca - principais inimigas das olerícolas. Outra dica é para o uso de substratos sadios, controle da temperatura nas estufas e condução das mudas.
O horticultor César Masiero se coloca entre os produtores que encontraram na terceirização da produção de mudas o caminho para evitar as perdas da horta que mantém na propriedade em Londrina. Quase cinco anos atrás ele cuidava desse serviço, mas a falta de estrutura resultava em perdas de até 40% das plantas, especialmente no período do verão. ''Preparava as mudas no canteiro e quando ia replantar, elas perdiam a raiz'', conta.
''Recebendo as mudas prontas não há perdas, é mais prático e compensa o investimento. Para nós está dando certo. Colhemos verduras de qualidade'', avalia. Ele envia as sementes para a confecção das mudas que são replantadas semanalmente nos canteiros da propriedade.
Na propriedade de seis hectares, quatro estão cultivados com alface, brócolis, couve-manteiga e beringela. A couve-flor ele replanta direto. Já a alface ele produz cerca de 12 mil pés por semana que se juntam aos 5 mil pés por mês de brócolis e aos 32 mil pés de beringela por ano.
Em todo o estado, os polos de olericultura cresceram mais de 10% ao ano. Na região norte o destaque é para o cultivo de cenoura em Marilândia do Sul e Arapongas; tomate em São Jerônimo da Serra, Reserva, Wenceslau Braz, Santo Antônio da Plantina e Londrina; e couve-flor em Tamarana.
Na região, o número de horticultores é de 6.311 produtores em 6.458 hectares, com uma produção de 198 mil toneladas por ano. A média é de um hectare para cada produtor.


