Londrina é o maior produtor de jiló do Paraná, com 300 toneladas produzidas em 15 hectares em 2023, segundo levantamento realizado pelo Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento).

O VBP (Valor Bruto de Produção) advindo da cultura em Londrina somou R$ 1,33 milhão, representando 8,4% de participação no estado.

André Luiz Varago, engenheiro agrônomo da Ceasa, explica que uma série de fatores garantem Londrina como o maior produtor de jiló no estado.

“Solos relativamente férteis e bem drenados, clima favorável, com chuvas bem distribuídas. Além disso, muitos produtores possuem áreas irrigadas e assistência técnica qualificada”, destaca o técnico.

Segundo ele, outro diferencial é a aptidão para o cultivo de jiló e demais olerícolas dos produtores locais.

“O fato de a Ceasa ter uma unidade localizada em Londrina influencia o cultivo de diversas olerícolas, entre elas o jiló. Além disso, Londrina e região metropolitana têm um grande público consumidor, logo, o produtor planta sabendo que terá destino certo para a sua mercadoria, seja no Mercado do Produtor da Ceasa Londrina, seja em alguma Empresa Permissionária da Ceasa Londrina, no Mercadão Municipal de Londrina (Cealon) ou em demais feiras e mercados.”

Hoje o Mercado do Produtor da Ceasa Londrina conta com 9 produtores que cultivam jiló, mas a quantidade aumenta se forem considerados os agricultores que entregam a mercadoria diretamente nos boxes – empresas atacadistas presentes na unidade.

“A produção do jiló na região tem perfil familiar e em pequenas propriedades rurais, geralmente cultivado em pequenos talhões de até 1 hectare. Na maioria das vezes, o produtor de jiló também cultiva berinjela, que é uma planta da mesma família e que possui os tratos culturais e exigências climáticas e nutricionais semelhantes.”

Os principais clientes dos produtores de jiló são grandes atacadistas, mercados, feirantes, ambulantes e restaurantes. O raio da área de abrangência dos clientes da Ceasa Londrina é de até 500 Km (inclui Mato Grosso do Sul, São Paulo, Foz do Iguaçu). Mais de 70% da produção regional de jiló, no entanto, é comercializada dentro das Ceasas de Londrina e de Maringá.

No ano passado, a Ceasa de Londrina comercializou 995 toneladas de jiló, contra 707 toneladas em 2023. No primeiro semestre deste ano, o volume atingiu 547 toneladas.

DESAFIOS

O principal desafio dos produtores de jiló de Londrina e região é a falta de mão de obra. “A produção de frutas, legumes e verduras no Estado do Paraná, de modo geral, sofre com a falta de mão de obra. No cultivo de olerícolas (legumes e verduras), na maioria das vezes, não é possível mecanizar a colheita, plantio e tratos culturais, sendo muito dependente do trabalho braçal. Soma-se a isso a baixa sucessão familiar e as famílias cada vez menos numerosas.”

Segundo o técnico, hoje muitos produtores e empresas do segmento hortifrúti se especializaram em vender jiló e outros produtos como quiabo, vagem e tomate cereja em bandejas. Assim o consumidor já adquire a mercadoria fracionada para a refeição.

TOP 3

Além de Londrina, outros dois municípios da região estão entre os maiores produtores de jiló no Paraná.

Sertanópolis, com 260 toneladas produzidas em 10 hectares, está na segunda colocação, com VBP de R$ 1,15 milhão e 7,3% de participação estadual na cultura. Na sequência vem Tamarana, com 250 toneladas produzidas em 15 hectares, que resultaram em um VBP de R$ 1,11 milhão e 7% de participação no estado em 2023.

Juntos, os três municípios são responsáveis por quase 23% do VBP advindo do jiló no Paraná.

Segundo o relatório do Deral, o jiló foi produzido em 171 municípios em território paranaense no ano de 2023, alcançando um VBP de R$ 15,8 milhões.

mockup