Colorido e orgânico despertam interesse de produtores
A fibra do algodão é uma matéria-prima importante para a indústria e a qualidade é sempre exigida em todo o mundo. Seguindo uma tendência atual, o algodão orgânico encontra mercado, principalmente no exterior. Cultivares que resultam em algodão colorido são outra novidade da pesquisa e já ocupam áreas em algumas regiões no estado.
O algodão colorido tem aceitação porque permite a fabricação de tecidos sem o uso de produtos químicos ou tingimentos. ''É uma alternativa para agregar valor'', destaca Wilson Paes de Almeida, do Iapar. Já é possível produzir algodão marrom avermelhado ou mais claro, esverdeado e azulado. Segundo o pesquisador, o algodão colorido atende mercados que privilegiam a produção sem uso de produtos químicos.
Segundo Almir Montecelli, presidente da Coceal, lavouras com algodão colorido ocupam atualmente 100 hectares na área de atuação da cooperativa, definidos por meio de contratos previamente firmados com indústrias estrangeiras. Esta é a terceira safra do algodão colorido, cuja área vem aumentando: no primeiro ano foram 10 hectares e no segundo, 40 hectares.
De acordo com Orbile Lepre Júnior, diretor executivo da cooperativa, cultivares coloridas têm o mesmo rendimento do algodão comum e o desafio é colocar o produto no mercado. O colorido consegue preço de 30% a 35% maior que o comum no mercado interno. No exterior o valor em dólar fica 60% acima.
Embora ainda incipiente no Paraná, a produção do algodão orgânico desperta o interesse de pequenos produtores. A grande aceitação e melhor remuneração abrem um importante nicho no mercado, segundo os técnicos e ambientalistas.
Produtores de algodão orgânico também estão de olho no mercado externo. Um exemplo são os produtores da região de Goioerê, que cultivam área de 30 hectares. Segundo o presidente da Cooperativa Agroindustrial de Goioerê (Coagel), Osmar Pomini, a cultura passa por um processo para obter a certificação de orgânico. ''Atendemos o mercado europeu, principalmente a França, por meio de contratos'', explica. Pomini afirma que enquanto os produtores recebem R$ 24 pela arroba do orgânico, o valor do convencional não passa de R$ 16.
Agricultores de Goioerê plantam a cultivar Iapar 96 e obedecem todos os critérios de produção, como o controle de pragas. ''Os produtores fazem armadilhas contra o bicudo e a lagarta'', exemplifica. Outra medida é o plantio isca, feito antecipadamente, para conter o aparecimento das pragas. (R.C.)





