Colônia japonesa mostra produtos
Colônia japonesa mostra produtos
A tradicional Exposição Agrícola de Londrina amplia seu espaço para participação de produtores brasileiros
Cristina Côrtes
DivulgaçãoQualidadeA produção de hortaliças vem crescendo na região que antes era ocupada apenas por café, soja e pecuáriaComemorando 90 anos da imigração japonesa, a tradicional Exposição Agrícola de Londrina, promovida pela Associação Cultural e Esportiva (Acel), terá este ano maior participação de produtores não descendentes de japoneses, numa demonstração de integração entre as duas raças. Para os primeiros imigrantes que começaram com a feira, os objetivos de aproximar as duas culturas foram alcançados e a união deve continuar.
Mais de trezentas espécies diferentes de produtos agrícolas hortifrutigranjeiros, selecionados entre os melhores da região, estarão expostos na 38ª Exposição Agrícola de Londrina, que se realizará de 5 a 7 de junho na sede da ACEL.
O painel de abertura da feira lembra o primeiro navio que trouxe os imigrantesEste ano a exposição terá seu espaço ampliado com novas parcerias de empresas e instituições públicas e privadas, mostras das pequenas agroindústrias, animais de pequeno porte, produtos artesanais, confecções, implementos agrícolas e comidas típicas.
Pólo de produçãoNos últimos anos a região de Londrina vem se destacando na produção de hortifrutigranjeiros. A necessidade de diversificação e retorno mais rápido faz com que muitos produtores iniciem o cultivo de frutas e hortaliças no lugar das culturas tradicionais como o café, soja, milho ou trigo.
Dorico da SilvaHajine Kato e Jaime Gushi lembram a história das exposições da AcelSegundo Hajime Kato, coordenador da exposição deste ano, a região localizada entre o Norte Velho e Maringá concentra cerca de 1.500 produtores de hortifrutigranjeiros, com uma área plantada de aproximadamente 7 mil hectares de hortaliças. E Londrina está estratégicamente localizada, transformando-se no centro de comercialização. Muitos compradores da região de Londrina, interior do Paraná, São Paulo, Mato Grosso e Rondônia vêm fazer compras na cidade devido à oferta abundante e qualidade dos produtos, diz Kato.
Com o crescimento desta atividade na região, a função da feira agrícola deve crescer. Este ano estamos trazendo parceiros na área de pesquisa e ensino, para mostrar novas tecnologias aos produtrores, comenta Kato. A Universidade Estadual de Londrina, através do Centro de Ciências Agrárias, mostrará um kit de produção hidropônica; a Embrapa trará as principais variedades de soja; o Iapar mostrará uma fazenda modelo, e os produtores mostrarão os melhores resultados de suas áreas.
DivulgaçãoA cerimônia do chá é uma das atrações culturais da Feira Agrícola de LondrinaÉ uma boa oportunidade para troca de idéias e informações entre os produtores que buscam melhorar sua produtividade, comenta Jaime Seigi Gushi, da ACEL, que também participa da organização do evento.
HistóriaAs primeiras áreas com hortaliças na região foram cultivadas pelos japoneses, e seus descendentes, que começaram a chegar aqui por volta de 1930. Hajime Kato que é imigrante lembra que a primeira feira foi realizada em 34 no pátio da escola japonesa que existia no centro da cidade, próxima do Colégio Hugo Simas.
O objetivo era mostrar a produção para as crianças e tentar aproximar os imigrantes dos brasileiros.
No período de 1935 a 54 não se tem registro da realização de outras feiras, que começaram depois a ser feitas sistematicamente a partir de 55. Alguns lembram que a Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina começou com a primeira feira realizada pelos japoneses. Depois, com o crescimento da pecuária, o caráter da feira foi-se modificando.
O que mudou também foi a participação japonesa na produção de hortaliças. Antes, quando se falava em verdura, logo já se pensava no produtor japonês. Hoje 80% dos produtores de hortalicas da região são brasileiros, comenta Hajime Kato. Os próprios membros da colônia japonesa não sabem explicar ao certo o motivo da mudança, mas acham que os filhos dos imigrantes buscaram na cidade outras alternativas de trabalho, outras profissões, incentivados pelos pais que exigiam um bom desempenho escolar.
O produtor Yoshiotaro Numato, também imigrante, é cafeicultor desde 34 e participa desde a primeira feira, expondo sua produção. Ele comenta que a feira sempre foi um motivo para o entrosamento entre japoneses e brasileiros. E deve continuar assim. Ele ainda tem fazenda de café, mas os três filhos vivem na cidade, desempenhando outras atividades.





