O Brasil é um país privilegiado na criação de abelhas. Segundo o professor José Lopes, do Departamento de Biologia Animal e Vegetal da Universidade Estadual de Londrina (UEL), nossas colméias são saudáveis, e é muito raro o aparecimento de doenças.
Um dos fatores que beneficiam as abelhas brasileiras, segundo o professor, é elas serem uma mistura das raças europa e africana, as abelhas africanizadas.
A mutação que gerou as abelhas africanizadas, ocorreu de forma natural, a partir da década de 50, quando as abelhas africanas entraram no país. ''A ocorrência de doenças e muito pequena o que garante a isenção de antibióticos no mel'', afirma.
Nos países da Europa, onde a ocorrência de doenças é mais elevada, exemplifica o professor, são feitas aplicações preventivas de antibióticos.
José Lopes destaca que nos últimos 40 anos a apicultura brasileira teve uma evolução ''surpreendente'', graças a investimentos federais em pesquisa e tecnologia. Nos anos 50 o País já foi um grande produtor e exportador de mel.
Mas a criação rústica e falta de técnicas adequadas de coleta e higienização tiraram o produto brasileiro do mercado externo. ''Hoje ocupamos o 5º lugar na exportação e há ainda muito espaço a ser ocupado''.
O professor explica que há três formas de captura de enxames: o uso de caixas isca; a retirada de famílias instaladas em casas ou troncos de árvores; ou a divisão de colméias fortes.
Na região de Londrina, o período adequado para a instalação das iscas vai de setembro a dezembro. ''O mês de novembro é o pico máximo para soltar enxames''.
A escolha do local para a instalação do apiário, destaca, também deve obedecer orientações, pois interfere na qualidade do mel produzido. Ele deve estar distante, em média, cinco quilômetros de locais de atividade com substâncias doces, canaviais, da área urbana (pelo risco de acidentes), e de áreas agriculturáveis (pelos inseticidas).

mockup